«...um monstro fabuloso adormecido». Amorim Girão; «a mais linda serra de Portugal». José Júlio César; «a mais pitoresca talvez...». Guia de Portugal; «... é região cheia de encantos». João Arede (Abade de Cucujães).
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- Este blog, amador, foi criado com o intuito de divulgar atividades e acontecimentos relevantes da Serra do Caramulo, bem como o seu património! Fornece, também, informações importantes para quem pretende visitar e conhecer a região! "Viaje" pela Serra (des)conhecida, explorando os seus conteúdos!
I Passeio pedestre do GAC
Ciência Viva 2009: À Descoberta de Ambientes Ripícolas na Freguesia de S. João do Monte - 29-08-09
Título: À Descoberta de Ambientes Ripícolas na Freguesia de S. João do Monte
(Quercus - Núcleo de Vila Real e Viseu)
Data: 29 de Agosto às 09:30 Inscrição Obrigatória (16 vagas)
Descrição: Percurso numa zona de linha de água de montanha: a Serra do Caramulo. Ao longo do percurso observamos e interpretamos aspectos biológicos, geológicos, paisagísticos e patrimoniais relacionados com os Rios Águeda e Mançores.
Ponto de encontro: Pelorinho de S. João do Monte
Como Chegar: Tondela até S. João do Monte ou Caramulo até S. João do Monte
Idade Mínima: 12 anos
Localidade: S. João do Monte / TONDELA / VISEU
Itinerário: Praia fluvial de S. João do Monte-Batoco-Poço Mertangil-Penha da Firma
Número de participantes: 20
Duração: 8 h
Transporte: assegurado a partir do local de encontro
Responsável pela acção: João Carlos C. V. Baptista
Inscrições e mais informações em: http://www.cienciaviva.pt
Notas: Levar comida e água, roupa, chapéu e calçado apropriados. Levar fato de banho e toalha
Informações retiradas de: http://www.cienciaviva.pt/veraocv/biologia/bio2009/
Prova de peddy-paper
Numa iniciativa espontânea, Jorge Silva, Miguel Gomes e Márcio Silva organizaram um peddy-paper no passado Domingo, dia dezanove. Tratou-se de uma prova pedestre de orientação, que consistiu num percurso ao qual estavam associadas perguntas e tarefas correspondentes a diferentes pontos intermédios (ou postos).
Para além de se percorrer os vários postos assinalados, foi necessário uma abordagem a alguns moradores da povoação de Abóbada para obtenção de algumas respostas. Das várias questões/tarefas apresentadas, destacamos as seguintes: “O ponto 2 é certamente um dos locais mais elevados da Abóbada. Aí existe um arbusto raro. Qual o seu nome?” “Nas proximidades do ponto 1 existe uma rocha que certamente te despertou algum significado. Qual o seu significado?” “Queremos que nos digam o nome de 5 constituintes de um moinho de água, que participem no processo de moagem.” Despertou particular interesse o/a gibardeiro/gibardeira (Ruscus aculeatus L.), resposta correcta à primeira questão. Trata-se de um arbusto vivaz que aparece na zona da Europa mediterrânica, estando igualmente presente no Sudoeste da Ásia e no Norte de África. Mantêm-se verde durante todo o ano, apresentando um rizoma, caule subterrâneo, a partir do qual brotam vários caules rígidos e verdes, alcançando entre
Sobre o significado da palavra peddy-paper, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Peddy-paper, encontram-se algumas curiosidades: “Peddy-paper é uma palavra criada utilizando elementos da língua inglesa, mas que é apenas compreensível em Portugal.(…) O peddy-paper é uma actividade lúdica geralmente ligada à aquisição de conhecimentos sobre um determinado tema ou local. (…) O termo rally-paper (ou rallye-paper), que terá chegado à língua portuguesa através do francês, ficou, em Portugal, associado exclusivamente a provas realizadas em veículo automóvel. O termo peddy-paper foi criado para a variante pedestre.”
Pelas 9h45m, no largo da capela da Nossa Senhora da Visitação, os participantes receberam um guião, do qual constavam as tarefas a realizar, e uma cópia da fotografia aérea da área, que possibilitou uma melhor orientação. Cada equipa demorou em média 1h e 40m a realizar a prova. Distribuídos por seis equipas, a prova contou com a participação de dezassete jovens: Catarina Gonçalves, Marisa Gonçalves, Inês Arêde, Sandra Loureiro, Jorge Gonçalves, Sandra Oliveira, José Fernando, Miguel Gomes, Chaves, Ricardo Oliveira, André Fernandes, Luís Antunes, Pedro Pereira, Paulo Carmo, Nuno, Paulo Fernandes e Sérgio Monteiro. Quatro equipas (B, C, D, E) acertaram quinze respostas, tendo a equipa E (Paulo Carmo e Pedro Pereira) realizado a prova em menos tempo. Para além do convívio e do contacto com a natureza, esta acção permitiu também a descoberta do património natural e humano.
A organização está de parabéns pela forma como dinamizou o evento. Jorge Silva, um dos organizadores, destacou a preciosa colaboração de Nuno Pereira na confecção do almoço e referiu que está a ser ponderada, para breve, a realização de outra actividade do género.
Pedro Luís S. Pereira geo.pedro@hotmail.com
Publicado no Jornal de Tondela. Edição nº 953 - 23/07/09
Caminhada na Natureza- Serra do Caramulo
O ISPAB (Instituto Superior de Paços de Brandão) realizou no dia 25 de Abril a V Caminhada na Natureza - Serra do Caramulo, com a participação de professores, alunos e funcionários desta Instituição. O evento contou com os seguintes apoios: Dr.ª Celeste Fraga, ex-docente do ISPAB; ADRC São João do Monte; Junta de Freguesia de São João do Monte; Museu do Caramulo; Grupo Coral e Instrumental da casa do Povo de Caparrosa; Câmara Municipal de Tondela.
Batem leve, levemente
Várias são as pessoas das povoações mais serranas que não conseguem tirar os automóveis das garagens, vendo-se impossibilitadas de irem para os seus empregos.
É inegável que o actual Inverno e o último Outono caracterizaram-se por um número elevado de ocorrências de queda de neve, contrariamente ao que tem acontecido em anos anteriores. Será um sintoma de anomalia climática, consequência do aquecimento global, ou apenas um fenómeno cíclico? A resposta carece de investigação científica, contudo, em três décadas de existência, não me recordo de algo semelhante. Vou continuar a estar atento às previsões meteorológicas e às vontades do São Pedro!
Diversas são as descrições e poemas de cenários de neve, mas a Balada de neve de Augusto Gil, que várias vezes ouvi na infância, declamada de memória pelo meu pai, é sem dúvida um dos poemas que eu mais gosto de recordar nestes momentos. Não resisto em escrever, aqui, os primeiros versos:
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Jornal de Tondela, Edição N.º 927 - 20/01/2009
A Rota do Mestre Garino
D. Afonso Henriques em 1131, concedeu carta de doação da vila de São João do Monte, a Mestre Garino, frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra.
“Que a vila de São João do Monte vem de há mais de 900, talvez mais de mil anos, comprova o, entre outros documentos, a doação feita por D. Afonso Henriques, em 1131, quando ainda príncipe, a mestre Garino, frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra, e que se encontra nos documentos da Chancelaria de D. Afonso Henriques…” César, J. & Figueiredo M. (1949).
A Rota
No Domingo de manhã, um grupo de amigos, procurando descobrir um pouco mais sobre Mestre Garino, realizou uma caminhada até ao local onde existem vestígios da sua habitação. A saída do largo da feira, junto aos bombeiros, aconteceu por volta das 9h00. Durante o percurso observaram-se inúmeros aspectos de ordem humana e natural (flora, fauna, vistas panorâmicas, alminhas, rochedos …). A carta militar 1/25 000, número 187, foi uma preciosa fonte de informação. Tratou-se de um itinerário circular com cerca de 7km por caminhos e carreiros de montanha. Carlos Pereira, Nuno Monteiro, António Mota, Arménio Lomba, José Gonçalves, Pedro Pereira, Miguel Silva, Paulo Fernandes, Miguel Gomes e Márcio Silva, constituíram a lista dos participantes nesta caminhada.
Ouvimos falar desde a infância que mestre Garino terá vivido nesta zona, mais precisamente num lugar isolado e alcantilado, conhecido por Esturrenheira. Trata-se sem dúvida, de um espaço com características especiais, para quem quisesse levar uma vida de ermitão e dedicada ao culto divino. Alguns dos participantes já estiveram no local, no entanto, tiveram dificuldade na localização exacta das ruínas, devido a um denso e impenetrável matagal.
«Carta de Doação a Mestre Garino da Vila de S.joão (do Monte)»
«Em nome da Santa e individua Trindade, Padre, Filho e Espirito Santo, Trindade inseparável que nunca terá fim por todos os séculos dos séculos.
Eu, Afonso. egrégio infante, filho do Conde D. Henrique e da Rainha Teresa, e neto do gloriosissimo imperador das Espanhas por graça de Deus principe de todo o Condado Portucalense, com toda a paz e tranquilidade do meu espírito, e de livre e boa vontide, e em testemunho de benevolência para convosco, Mestre Garino, e vossos Irmãos (monacais), faço Carta (de doação) da vila de S. João (do Monte) com todos os seus termos como divide com Paranho e com Covelo e com Macieira e Besteiros, por onde corre o Rio Águeda. Isto faço de minha própria vontade pela minha alma e da de meu pai e de minha mãe para nossa eterna salvação.
E desde hoje para todo sempre seja (a vila de S. João) alienada do meu direito e em vosso domínio entregue e confirmado perpetuamente.
Feita esta Carta em 18 de Julho de 1131. Eu, Afonso, supra nominado, roboro esta Carta por minha própria mão. Ermigo Moniz-testifico. Hero de Bridi-testifico. Gonçalo Rodrigo-testifico. Serrasino de Espini-testifico. Nuno Soares-testifico. Fernando Cativo-testifico. Pedro notário a escrevi.»
Torre do Tombo- Col.esp. Parte II, Caixa 35, maço 3 (Cartório de S. Cruz). Extraído de: César, J. & Figueiredo M. (1949)- O Couto de Alcofra e São João do Monte. Tradução de Padre João Domingues de Arede.
Balanço
Esta caminhada permitiu aos participantes descobrir um pouco mais da história e do espaço da sua terra. Possibilitou também, bons momentos de convívio. Esperamos que este registo, constitua uma orientação na elaboração de um percurso pedestre, a começar pelo título. Está agendado para o próximo fim-de-semana outra caminhada, podendo aparecer todos aqueles que gostem deste tipo de actividades.
Pedro Pereira
plsp@sapo.pt
Geologia, Paisagem e Património da Freguesia de S. João do Monte
Concentração na Vila de São João do Monte junto ao PelourinhoPela manhã os dezoito participantes encontraram-se junto ao pelourinho, onde foi feita uma apresentação individual e distribuído o roteiro. São João do Monte foi Vila e sede de concelho até 1855. Nesse ano, com a reforma de Frederico Guilherme da Silva Pereira e Rodrigo da Fonseca Magalhães o concelho foi extinto, passando para Tondela todas as suas freguesias, excepto as de Alcofra, Arca e Varzielas. Em 1997 recuperou o seu título de Vila. Pelo meio da localidade, passa o rio Águeda, onde existe uma praia fluvial com beleza impar a fazer jus ao seu próprio nome: Praia fluvial Paraíso. O Jornal do Centro, na ed. 283, 17 de Agosto de 2007, na notícia “Distrito com duas praias fluviais classificadas” refere o seguinte: “… das 16 praias fluviais existentes no distrito, apenas a praia de Folgosa, em Castro Daire, e a praia fluvial de São João do Monte, em Tondela, reúnem as normas de segurança e de qualidade. A lista foi elaborada pelo Instituto da Água (INAG), em conjunto com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR), …”.
Formas graníticas junto a Almofala
Neste local, foi realizada uma observação de blocos graníticos que se assemelham a figuras geométricas, zoomórficas... Os granitos, gerados a
O Caramulinho” é um excelente miradouro e constitui o ponto com maior altitude da Serra (1074m de altitude). Apresenta uma área aplanada junto à base e o seu pico descarnado deve-se à erosão. É uma zona de fronteira entre as freguesias do Guardão e de São João do Monte. Estes relevos de dureza resultaram de relações entre tipo de rocha, tectónica e erosão.
Cabeço das Buracas (junto à povoação do Teixo)
O rio Águeda nasce na Serra do Caramulo e muito se “entusiasma” a levar águas frescas ao Vouga, depois de receber águas do Alfusqueiro, junto a Bolfiar. Os cursos de água nesta região apresentam um encaixe nítido, correndo muitas vezes em vales apertados. Estes vales coincidem com o contacto entre granito e xisto, podendo o seu curso estar condicionado por falhas. Nas zonas de falha, o granito está “esmagado” e por isso a sua alteração química é mais pronunciada e as rochas são facilmente erodidas. Por outro lado, como o xisto é mais facilmente erodido que o granito, criam-se relevos por erosão diferencial.
“Poços fluviais da Pena Branca e Mertangil” - ribeira do Souto
Toda a freguesia é recortada por muitos cursos de água, associados a uma intensa fracturação da zona e a uma forte escorrência facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes. Os dois cursos de água mais importantes da freguesia de São João do Monte são o rio Águeda e a ribeira das Dornas ou ribeira do Souto (designações presentes na carta militar nº 187, 1/25 000). Os participantes tiveram oportunidade de desfrutar da beleza ímpar destes ambientes fluviais e alguns deles aproveitaram para tomarem um banho refrescante.
BalançoA acção terminou na mata de São João no final do dia, com um pequeno lanche. Os responsáveis pela acção, Pedro Pereira, Nelson Pereira e João Carlos Baptista, em conjunto com os restantes participantes fizeram um balanço muito positivo sobre a forma como decorreram os trabalhos, perspectivando-se para o próximo ano uma nova acção deste género. Luís Henriques Pereira, presidente da Junta de Freguesia, participou na acção e referiu que se tratou de uma actividade importante na divulgação do património natural da freguesia, constituindo mais uma forma de promoção do desenvolvimento.
P.L.S.P.
plsp@sapo.pt
Floresta e Incêndios
Achei interessante o que li, no entanto poderia ser ainda mais interessante abordar estes temas a nível local (Concelho de Tondela), nomeadamente a relação entre as características da floresta e os incêndios. Conhecendo um pouco melhor as características florestais do Concelho de Tondela, os nosso jovens estariam mais sensibilizados para a sua preservação. No âmbito deste tema: Incêndios e floresta, podemos tecer algumas considerações a nível concelhio.
O pinheiro bravo é pois a resinosa mais frequente no nosso país; como a palavra resinosa indica, esta árvore tem na sua composição química substâncias altamente inflamáveis o que as torna susceptíveis ao fogo. É frequente os incêndios nos pinhais desenvolverem-se sobretudo junto ao solo, queimando a caruma e o mato, podendo afectar em maior ou menor grau as árvores.
Embora nos eucaliptais a vegetação arbustiva não seja geralmente abundante, é fácil um incêndio neste tipo de árvores passar para as copas e propagar-se entre elas, com os riscos próprios deste tipo de incêndios. De acordo com o inventário da D.G.F. (Direcção Geral das Florestas), em 1974 o concelho de Tondela apresentava em termos totais de ocupação de pinheiro e eucalipto, respectivamente 94% e 6% Estes valores são hoje um pouco diferentes, salientando-se o aumento da ocupação de eucalipto, mas mantendo-se ainda uma maior ocupação de pinheiro bravo em relação ao eucalipto
A terceira situação diz respeito à vertente ocidental da Serra do Caramulo, onde nas altitudes inferiores a 600 metros, deixamos de ter pinheiro bravo e começa aparecer o eucalipto em mancha continua, prolongando-se até às proximidades de Águeda.Pedro Luís .S.Pereira
Publicado em Jornal de Tondela. nº 637- 3 de Julho de 2003.
Mel de Valdasna


Legenda: 1- Cortiços no local de Açor; 2- Barracão de apoio à apicultura no Batoco; 3- Travessia do Rio Águeda para se atingir as colmeias; 4- Colmeias móveis.
Laranjas da Serra do Caramulo- Um breve apontamento
A leitura da reportagem "Caramulo – Uma aposta séria nas potencialidades naturais da Serra", publicada na edição nº 761 deste jornal(Jornal de Tobdela) suscitou a realização deste apontamento. Segundo informação da notícia publicada, está em marcha um Plano de Acção de Desenvolvimento Rural que visa potenciar um conjunto de produtos endógenos…O projecto é promovido pela Associação de Desenvolvimento da Região de Tondela (ADERETON)."Catarina Chaves começou por dizer ao nosso jornal que os produtos que fazem parte do programa desta acção de desenvolvimento, como o mel, o linho e a laranja de Besteiros resulta de um estudo efectuado no território de cerca de 13 freguesias do concelho de Tondela, ou seja aquelas que estão mais orientadas para Serra do Caramulo". Podem-se acrescentar mais algumas considerações importantes a este estudo. Todos nós conhecemos a inquestionável qualidade das laranjas de Besteiros. Contudo, a existência de laranjas de qualidade no concelho, não se restringe apenas à Terra de Besteiros…
Em plena Serra do Caramulo encontramos lugares com grandes potencialidades na produção destes citrinos. Quatro lugares pertencentes à freguesia de S. João do Monte (Almijofa, Quinta de Menderes, Mançores e Metadegas), apresentam a particularidade de produzirem deliciosas laranjas, ainda que localizados em plena Serra, onde não seria de esperara existência deste produto com grande qualidade.
As laranjas mais famosas são as da Quinta de Menderes e de Almijofa. Tal facto deve-se a condições naturais muito específicas, nomeadamente no que diz respeito aos aspectos climáticos.
O clima de toda área serrana é condicionado por factores gerais e factores locais. A situação geográfica em altitude e a circulação geral são determinantes em relação aos factores locais de disposição das vertentes, altitude, proximidade do mar, rumo dos ventos dominantes, etc. Embora estes factores se façam sentir e contribuam para a criação de características climáticas diferenciadas, é de salientar as situações particulares de abrigo em relação aos ventos marítimos em que se localiza o lugar de Almijofa cuja vertente se encontra, por um lado a altitude reduzida e protegida dos ventos marítimos por um obstáculo interposto, e por outro suficientemente exposta para sofrer um grau de insolação significativo. Estas características climáticas especiais, resultantes da própria topografia do terreno dão origem a um microclima, possibilitando a cultura de várias espécies agrícolas, nomeadamente as laranjeiras.
Árvores de folhagem persistente, pertencentes à família das Rutáceas, as laranjeiras, são originárias da China e foram introduzidas na Europa pelos árabes, o que não deixa de ser curioso pelo facto da palavra Almijofa ser de origem árabe…Amadeu Ferraz de Carvalho no seu livro, a Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela, a respeito de Almijofa, escreveu o seguinte: "Almijofa, também conhecida por Almejofa, segundo informação do Sr. Dr. J.P. Machado, poderá ter a sua origem em al-mejõf, ou melhor, em al mijõfa, feminino da primeira e nesse caso significaria ôca, vazia, deserta (sc. Aldeia). Nas adições aos vestígios da língua arábica de Fr. João de Sousa Moura dá-lhe por empréstimo dá-lhe por étimo almojanafa, a cousa côncova ou encovada", qualificativo referente à situação topográfica do lugar em sítio côvo, deprimido e fundo, o que realmente se verifica. (Cf. Dr. J. Da Silveira – Almojoafas, Ver. Lusitana, vol.38º, pag 270)".
A aldeia de Almijofa, apresenta no momento um quase deserto de habitantes. Com grande tristeza nossa, verifica-se que os terrenos de cultivo e muitas árvores de fruto encontram-se ao abandono por falta de mão obra. Em certos locais os eucaliptos já tomaram conta de muitas das terras cultiváveis, crescendo ao lado das laranjeiras. Para contrariar este cenário, o anunciado Plano de Acção de Desenvolvimento Rural do Caramulo, poderia incrementar nestes espaços uma acção preponderante, desenvolvendo planos que potenciassem este produto nesta zona serrana. Independentemente das linhas de actuação, esperamos que o resultado final seja o mais profícuo possível para ao desenvolvimento das freguesias que são alvo deste Plano de Acção.
Pedro L. P.
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Publicado no "Jornal de Tondela" (data: ?)
A Feira de São João do Monte
ão poderá estar relacionada com o próprio isolamento desta terra em tempos primórdios. À feira de São João do Monte eram atraídos um grande número de população que iam vender gado ou comprar tecidos para roupas, assim como sementes para os campos e uma outra alfaia que o ferreiro não conseguia fabricar.Sardinhas
A sardinha vendida na feira em outros tempos, era trazida a pé por sardinheiras que vinham do lado da terra de Besteiros. Era transportada em cestas e gamelas acondicionada em muito sal. O trajecto para cá chegar não devia ser “pêra doce”, daí muitas vezes ter de parar-se para retomar forças, em determinados locais do trajecto. Eram os chamados pousos, como os da Mata da Galinha no alto do Caramulo. Muitas pessoas traziam ovos que os vendiam a feirantes e com esse dinheiro compravam a sardinha. Facto curioso era a sardinha apresentar um aspecto sempre fresco. Até que um dia foi desvendado o mistério. A dada altura, dois homens naturais de São João do Monte foram buscar vinho com dois burros à terra de Besteiros acondicionado em odres de pele de cabra. Ao passaram na ponte sobre o rio Criz, viram as sardinheiras a lavar a sardinha no rio, para esta apresentar um aspecto sempre fresco…
Criação
Esta feira foi criada por deliberação da Junta em 4 de Março de 1888 e realizava-se no terceiro Domingo de cada mês. De 1888 até 1927 esta feira, tinha características um pouco diferentes de quase todas as outras. Realizava-se da parte da tarde e numa altura em que todas as outras feiras estavam proibidas de funcionar ao Domingo, por imposição da igreja, esta realizava-se sem qualquer impedimento das autoridades, visto que para esse efeito tinha uma autorização especial.
O Sr. Elísio do Carmo, relatou um pormenor interessante: “Um dos primeiros feirantes foi um tal de Sr. José Vilharigues, que provavelmente seria originário da povoação de Vilharigues. Quem me contou foi o Sr Bernardo Henriques da Costa, que viveu entre 1884 e 1961”.
Dezanove
Em 1927, a data da sua realização foi mudada para os dias dezanove, devido a uma decisão da Junta de Freguesia tomada em 26 de Junho desse ano. Nessa altura, o recinto animava-se a partir das treze horas, altura em que as gentes começavam a afluir depois de fazerem algumas tarefas de manhã, muitas delas relacionadas com a lida do campo.
Acta da mudança da Feira em 26 de Junho de 1927
Aos vinte e seis dias do mez de Junho de mil novecentos e vinte e sete, n'esta freguesia de S. João do Monte e sala das sessões da comissão administrativa civil, estando reunidos os membros, Senhores João Martins de Almeida Presidente e os vogaes José Luiz da Paz e Manoel Fernandes Firme pelo presidente foi em nome da lei aberta a sessão. Pelo presidente foi proposto que se torna de grande utilidade para a freguesia a mudansa do dia do mercado que se efetua neste lugar de S. João do Monte, nos domingos treceiros de cada mez para o dia desenove também de cada mez. Depois de varias opiniões concordou toda a comissão que fosse o dia desenove de cada mez, e que se tirasse copia desta acta, e que fosse enviada a Exª comissão admenistrativa de Tondela a fim de ser aprovada a mudansa de dia do referido mercado de domingo treceiro para o dia desenove. Não havendo nada mais a tractar foi encerrada a sessão em nome da lei enserrando-se digo lavrandro-se esta acta que vai ser assinada por todos depois de lida por mim Antonio Emílio d'Almeida secretario que a escrevi e assino.
O presidente João Martins de Almeida
Vogal José Luiz da paz
Vogal Manoel Femandes Firme
secretario Antonio Emilio d'Almeida
Extraído de: Pereira. J.V.(1988), p.569
A data de dezanove não era inocente. A feira realizava-se nesta data para que os comerciantes de gado tivessem tempo para levarem os animais comprados a uma outra feira que se realizava para a zona de Coimbra no dia vinte e três de cada mês, chamava-se a “Feira dos vinte e três”. Os comerciantes compravam gado na feira de São João, com a condição de os vendedores levarem os animais à povoação de Almofala. Depois do gado todo reunido nesta aldeia, era levado para a Feira dos Vinte e três. Nesta famosa feira, apareciam os grandes comerciantes de gado que transportavam os animais comprados de comboio para Lisboa, Porto … O gado para fazer a viagem de Almofala até Coimbra tinha que estar preparado, as suas patas teriam que ter calo suficiente para aguentarem a caminhada.
A realização da feira de São João nesta data (dezanove), manteve-se até 1992. Neste ano, voltou a ser mudada novamente para o terceiro Domingo de cada mês, talvez porque começou a entrar um pouco em declínio, fruto de alterações das ocupações profissionais das populações.
Pedro Pereira
Plsp@sapo.



