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Este blog, amador, foi criado com o intuito de divulgar atividades e acontecimentos relevantes da Serra do Caramulo, bem como o seu património! Fornece, também, informações importantes para quem pretende visitar e conhecer a região! "Viaje" pela Serra (des)conhecida, explorando os seus conteúdos!

Inauguração do CEISCaramulo

     No dia 20 de abril foi inaugurado o Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo (CEISCaramulo).
     "Em fevereiro de 2011, o antigo Agrupamento de Escolas do Caramulo (agora integrado no Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro) foi convidado pela Fundação Montepio, conjuntamente com outras 50 escolas a nível nacional, a concorrer ao referido prémio. Foi então apresentado a concurso o "Conhecer o que é nosso, para preservar e valorizar", que veio a ser distinguido com o prémio escolar Montepio 2011, entregue a 15 de novembro, em cerimónia pública no auditório da Fundação Montepio, pelo Sr. Ministro da Educação.
    O projeto previa, entre outras iniciativas, a criação de um Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo (CEISCaramulo). Esta iniciativa assume um papel central no projeto, uma vez que estabelece e consolida a relação com a comunidade local e perpetuará no tempo o próprio projeto.
      O CEISCaramulo que ficará sediado na vila do Caramulo, no edifício do Turismo, terá como missão promover o estudo e a investigação nos vários domínios e interesses, designadamente ambiental, geográfico, biológico, geológico, histórico, etnográfico, gastronómico, etc., da Serra do Caramulo, sem perder de vista o interesse económico e de promoção da região onde se enquadra, potenciando e promovendo o empreendedorismo local. Poderá constituir-se como uma mais-valia para o desenvolvimento sustentável desta região serrana, uma vez que é fundamental conhecermos o que temos e o que nos distingue dos demais para podermos projetar o futuro, valorizando o que é nosso". Extraído de: http://cfaeplanaltobeirao.webege.com/Documentos/inforceis.pdf

VII Capítulo da Confraria Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo


São João do Monte uma Vila Serrrana
"(...) há mais de 900 anos nasceu a vila de São João do Monte, tal como referiu José Julio Cesar, figura ilustre e natural  desta localidade que viveu entre os seculos XIX e XX.
        De facto, um dos registos mais antigos que faz referência a esta vila, remonta ao sec. XII, mais precisamente a 1131.  Este registo diz respeito à Carta de doação a Mestre Garino da vila de São João do Monte.   E desde já, podem levantar-se duas questões. Quem fez a doação? Quem foi  mestre garino?
       A doação foi feita pelo primeiro rei de Portugal. Nesse ano, Dom Afonso Henriques, doa a vila de São João do Monte com todos os seus termos a Mestre Garino, em recompensa dos serviços prestados.  Apesar de não se encontrarem registos com descrições detalhadas da figura de mestre Garino, sabe-se que era frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra e que devia ser figura importante desse mesmo convento. (...)"

Ciência Viva em São João do Monte - 04-08-2012


Título: Património Ambiental da Freguesia de S. João do Monte


Org.: Quercus - Núcleo de Vila Real e Viseu
Data:  04-08-2012
Hora de Início: 10:00
Ponto de encontro: Pelourinho de S. João do Monte e Casa da Câmara
Nota: Levar roupa e calçado apropriados, chapéu, água, merenda, fato de banho e toalha

Inscrições em: http://www.cienciaviva.pt/

PRAIA FLUVIAL PARAÍSO e POÇO LAGAR

• “ (…) Município de Tondela, candidatou 2 praias do concelho às “7 Maravilhas – Praias de Portugal”. Este concurso está dividido por categorias, sendo que a aposta foi projetar a Praia de S. João do Monte enquanto Praia de Rio, pois uma das condições obrigatórias para a nomeação é a classificação oficial de área balnear, e simultaneamente candidatar Mançores a Praia Selvagem”. Extraído de: http://www.cm-tondela.pt

• “As “7 Maravilhas – Praias de Portugal®” pretendem promover a qualidade ambiental de Portugal, nomeadamente dos nossos recursos hídricos e a beleza da nossa costa e dos nossos rios e albufeiras, como fator decisivo na escolha de Portugal enquanto destino turístico”. Extraído de: http://inscricoes.7maravilhas.pt

• Coordenadas: Praia Fluvial do Paraíso (S. João do Monte)- 40º 35’46.40’’N 8º14’10.46’’O ;
Poço Lagar (Mançores)- 40ºN 34’44.77’’ N 8º17’17.45’’O .

• “Uma das poucas praias de altitude em Portugal. Localizada em plena Serra do Caramulo, esta praia goza da tranquilidade de um ambiente serrano, com uma natureza quase intacta e um imenso colorido de água e vegetação. A praia de S. João do Monte convida ao relaxamento perfeito”. Extraído de: http://www.visitcaramulo.org/O-que-Fazer/Eco-Turismo/Praias-Fluviais/Praia-Fluvial-de-Montanha-de-Sao-Joao-do-Monte

• ‘’Em São João do Monte uma antiga ponte românica de cinco arcos liga as duas metades do vilório. O Águeda corre mesmo por baixo. (…) É verdade: até ao momento, não disse uma palavra sobre os caminhos de água que rilham o granito e vão ajudar o Vouga e o Dão a serem rios. Em São João do Monte tem uma ponte antiga de cinco arcos a ligar as duas partes do vilarejo e um açude a travar-lhe a corrente apressada que, logo que espreitam os dias quentes, se transforma em praia fluvial.” Extraído de: Revista Volta ao Mundo …

• “ (…) Pelo meio da vila passa o rio Águeda, onde existe uma praia fluvial com beleza impar a fazer jus ao seu próprio nome: Praia fluvial Paraíso”. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos (2008) Ciência Viva no Verão. Geologia, Paisagem e Património da Freguesia de S. João do Monte (Serra do Caramulo). Junta de Freguesia de S. João do Monte, UTAD.

• “Quem visita esta praia, pode passear ao longo de um enorme manto verde, apreciando o canto dos pássaros e o correr das águas do rio Águeda. Tanta natureza e tanta serenidade são as razões que levam muitos visitantes a procurar este "Paraíso", especialmente, durante os meses de Verão. “ (…) Segundo a portaria, das 16 praias fluviais existentes no distrito, apenas a praia de Folgosa, em Castro Daire, e a praia fluvial de São João do Monte, em Tondela, reúnem as normas de segurança e de qualidade. A lista foi elaborada pelo Instituto da Água (INAG), em conjunto com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR), ”. In Jornal do Centro, ed. 283, 17 de Agosto de 2007. Neste espaço, chamamos a atenção para a antiga ponte românica de cinco arcos que liga as duas metades da vila…” Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

• “(…) Trata-se de uma área com topografia côncava a que se pode designar em termos geomorfológico de bacia/alvéolo”. A nível geológico e geomorfológico podemos dizer que na área predominam granitos resultantes do arrefecimento e cristalização de magma. A instalação dos granitos fez-se possivelmente em mais que uma fase. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2011) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

• “Ao nível biológico salientamos algumas das espécies vegetais da galeria ripícola, nomeadamente: salgueiro, amieiro, junco, zangarinho, hortelã d’água, entre outras “ Salgueiro é o nome comum das plantas do género salix, família salicaceae. o nome de salix parece proceder do celta e quereria dizer: próximo da água. Tem sido utilizada, experimentalmente, para recuperar águas poluídas devido à sua capacidade para absorver e transformar poluentes em matéria orgânica.” … “Em Portugal, além do salgueiro branco, existem outras espécies de salgueiro nativas como o salgueiro negro (salix atrocinerea, brot.). Os salgueiros são das árvores mais características da beira dos rios e dos seus ramos preparam-se os vimes que tanta importância tiveram tradicionalmente na cestaria”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/ salgueiro). O amieiro (Alnus glutinosa), também conhecido por alder, é uma árvore ripícola mediterrânea. A sua madeira resistente à água e de baixa densidade, é muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas. O amieiro tem como característica sonora um som mais aveludado com grave bastante profundo. O junco (juncos) é uma planta da família das Apresenta caules de cerca de um metro de altura, lisos, cilíndricos, flexíveis, pontiagudos, cor verde-escura por fora e esponjosos e brancos no interior… Cresce em lugares húmidos, próximo dos rios. “No livro dos Salmos, diz-se: «(…) Repreendeu o mar Vermelho e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos, como pelo deserto». O mar não se chamava Vermelho no tempo dos acontecimentos bíblicos. Chamava-se (e é assim que consta do original) mar dos Juncos. NOGUEIRA, 2004. O zangarinho é um arbusto da família das Romnáceas, comum nas terras húmidas. Também conhecido por lagarinho, sanguinho, zangarinheiro e amieiro-negro. A hortelã d’água (Mentha aquática), é uma planta perene, de talos muito ramificados. As flores que aparecem entre Junho e Outubro são muito pequenas e formam uma cabeça rosa ou branca. Cheira a menta e encontra-se em lugares húmidos, rios, ribeiras, fontes e nas beiras de caminhos encharcados. Uma outra espécie que aparece com alguma frequência nas margens do rio, apesar de não ser propriamente ripícola é o gibardeiro. (Ruscus aculeatus L.). Trata-se de um arbusto vivaz, pouco vulgar, que aparece na zona da Europa mediterrânica, estando igualmente presente no Sudoeste da Ásia e no Norte de África. Mantêm-se verde durante todo o ano, apresentando um rizoma, caule subterrâneo, a partir do qual brotam vários caules rígidos e verdes, alcançando entre 10 a 150 cm de altura. O fruto é uma baga de cor vermelha viva com uma a quatro sementes. Dos seus ramos fazem-se vassouras para varrer ruas e limpar chaminés. As espécies descritas, apresentam-se em ambos os troços dos rios a visitar (Águeda e Mançores)”. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

• Na fauna das águas correntes do Águeda destacam-se as comunidades piscícolas, que incluem a truta-de-rio (Salmo trutta fario), enguia (Anguilla Anguilla), bordalo (Rutilus Alburnoides) e outros vertebrados, como a rã-ibérica (Rana iberica), o melro-d'água (Cinclus cinclus), a lontra (Lutra lutra) e a toupeira-d'água (Galemys pyrenaicus). Na fauna do rio de Mançores, para além das espécies anteriormente apresentadas, podemos ainda encontrar o barbo (Barbus Steindachneri (Bocagei)) e a boga (Chondrostoma Polylepis).

• “A povoação de Mançores, encontra-se a 150 m, sendo a localidade da freguesia com menor altitude. A dividir a aldeia passa o rio, que nesta zona é designado de rio de Mançores (afluente do Águeda). O rio descreve um meandro e surge um poço fluvial com uma profundidade considerável, designado pelos locais de Poço lagar. Aqui realizar-se-á um pequeno percurso junto ao rio, onde se pode observar a beleza paisagística, bem como, descobrir outras espécies ripícolas, para além das descritas anteriormente (…).” Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

Jornada Ripícola de S. João do Monte


Acta
A acta da sessão extraordinária de 6 de Abril de 1887, da Junta de freguesia de S. João do Monte, esclarece contemporâneos e vindouros, nomeadamente os participantes do programa Ciência Viva, na inesquecível jornada de 30 de Julho de 2011, com todo o respeito pelos normativos legais, que no “ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e sete, aos seis dias do mês de Abril, a junta de Paróquia de S. João do Monte concelho de Tondella se reuniu em sessão extraordinária (para o que tinha sido previamente convocada) sob a presidência de Jacinto Henriques Soares, que estava presente, com os vogais António Martins de Almeida, António Fernandes Pereira, Salvador Henriques Monteiro de Carvalho e Manuel Antunes Pereira”. Depois de “aberta a sessão e lida e aprovada a acta antecedente”, ficou a Junta a saber “que a Ex.ma Câmara de Tondella resolvera vender a antiga casa da cadeia, de que nos servíamos para a escolla do sexo masculino e como nesta freguesia não havia casa para outra escola o Presidente e Vice-Presidente da Junta” decidiram solenemente perfilhá-la com esta educativa finalidade.
Pois bem, foi neste precioso santuário de redenção terrena e de amor às primeiras letras, agora sede cultural, bem perto do Paraíso (praia fluvial) que, aí pelas nove manhã, algumas dezenas de caminheiros, muitos de bem perto, outros de bem longe, se conheceram e deram a conhecer, antes de provarem as mimosas oferendas doces e matinais da ACDR de S. João do Monte, sábia e docemente conduzida pelo Sr. Mário. Não fosse irreverência e registar-se-ia aqui, neste improvisado quadro de honra, a memória daquele bolo, bem negro e bem húmido, de açúcares equilibrados, exuberante de frescura, com inesquecível final de boca, boas notas aromáticas a cereja preta e frutos silvestres, assistido de vinho doce…
Enxergou-se bem, in loco, como este incansável dinamizador da cultura local e denodado ex-combatente das matas de Angola, o sr. Mário, que acompanhou minuciosamente todos os passos da jornada, com insuperável maestria.
Organização
Os objectivos e locais visitados, nesta iniciativa do programa Ciência Viva, no Verão 2011, organizado pela Quercus – Núcleo Regional de Vila Real e Viseu, foram seleccionados de acordo e com os apoios da Junta de Freguesia e da Associação Desportiva Cultural e Recreativa (ADCR) de S. João do Monte. É de inteira justiça salientar o apoio da D. Odete, briosa ex-moradora da aldeia de Vale de Lobo que, no frondoso bosque e Parque de Merendas da freguesia, consegue sempre cozinhar a melhor feijoada.
Há que salientar, com inteira justiça, ainda que a modéstia do próprio não se conforme com tal destaque, o empenhamento do geógrafo Dr. Pedro Pereira que, ano após ano, arregimenta meios e vontades por forma a assegurar esta iniciativa de carácter nacional. É notório o empenho na divulgação da terra e cultura caramulanas. De salientar ainda que não se limita a este único evento anual. Ao longo do ano, convida – e convence… - pessoas de várias áreas do saber, com destaque para pessoas que conduzem estudos ou complementos de habilitações superiores.
O geólogo Prof. Doutor João Carlos Baptista, ainda que tenha em mãos um inesperado problema relativo ao apelido, com o novo acordo ortográfico, recebeu a habitual recompensa pela sua aplicação pedagógica, atlética e organizativa, com o mergulho final na costumeira cascata do “Rio da Quinta”, o famoso Poço da Pena Branca, já nas proximidades da Quinta de Menderes. E note-se que uma Serra como o Caramulo oferece imensa matéria mineral para interpretação e… transpiração.
O Engenheiro Florestal João Branco, sempre disponível e eloquente na interpretação da vida animal e vegetal, nunca largou o trabalhoso e completo “kit” fotográfico, com pesada máquina, teleobjectiva e tripé. Não lhe escaparia nada que se parecesse com tritão, borboleta ou tentilhão.
Fica o registo da participação assídua e carismática da enfermeira Ana Sofia Pereira, natural da vila de S. João do Monte, que, ditosamente, ainda não precisou de ultrapassar a barreira do mero apoio moral aos caminheiros.
Finalmente, um agradecimento especial ao Sr. Elísio, antigo moleiro, que apresentou, de uma forma bem esclarecedora, o seu depoimento especial, aos caminheiros, sobre a vida de moleiro que Deus lhe deu durante muitos anos. Falou, a convite do Dr. Pedro, das peças do moinho, das características e cuidados com as mós, das serventias da água do rio para as moagens e de alguns episódios que o marcaram nesta já nostálgica actividade.
Rio e ribeira
O rio Águeda e a ribeira de Dornas ou ribeira do Teixo ou ribeira do Souto (indicações da carta militar nº187) ou rio de Mançores (designação também atribuída a esta linha de água pela população local) são os dois cursos de água mais importantes da freguesia.
Toda a freguesia é rendilhada por um sem número de linhas de água que se encaixam e aconchegam nitidamente em vales de profundidade variável, mas de verde sempre bem equilibrado e suculento. Estes cursos estão associados a uma enérgica fracturação e a uma forte escorrência, facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes.
Foi neste ambiente hidrográfico que se descobriram e exploraram alguns dos deslumbrantes ambientes ripários da freguesia. Deram eles boa nota do fortíssimo carácter natural duma terra que não teme a proximidade das estrelas.

Degrau
António de Brum Ferreira escreve, em 1978, no seu livro “Planaltos e Montanhas do Norte da Beira - Estudo de Geomorfologia” que “a juzante de Varzielas há um degrau bem demarcado, seguindo-se um nível de 600-650 metros de altitude, que atinge um grande desenvolvimento em Arca - S. João do Monte (2 km de largura), tanto no granito do Caramulo como numa mancha xisto-migmatítica”.
Por toda a Serra do Caramulo, há realmente desnivelamentos para todos os gostos. Uma belíssima riqueza que deslumbra todos os numerosos visitantes, ainda que isso tenha de se pagar em pernas e muito suor.
Num dia de calor intenso, como foi o caso, o pensamento dos caminheiros ia frequentemente para a ostentosa Praia Fluvial de S. João do Monte, bem dita do Paraíso, alimentada pelo Rio Águeda. Ainda no imaginário dos andantes calhavam bem as sombras dos salgueiros e amieiros do “jovem” Rio Águeda, partilhadas por alguns lamas, bichos do deserto de Atacama, em cercado junto à igreja paroquial, em cujas imediações a Junta de Freguesia se esmerou na limpeza de muitas veredas. Não precisavam elas, outrora, de outra manutenção que não fosse a da azáfama quotidiana dos muitos moradores que, nas suas deambulações, amanhavam as terras férteis dos vales ou, até, as mais áridas das encostas dos montes.
Tamancos, socas ou botas não davam às ervas o sossego que, agora, lhes traz a desertificação que se vai constatando. E a culpa não é só da falta de pés e respectivos adereços, mas desta venerada civilização que trouxe tão boas estradas, isto é, um luxo, outrora improvável, de percursos alternativos.
Que pena não se cumprirem agora, por aqui e noutras bandas, as palavras de Homero: “A terra negra produz trigo e aveia, as árvores carregam-se de frutos, as ovelhas não se cansam de dar crias”!…
Texto: Nelson Rodrigues Pereira Fotos: João Carlos Baptista . Publicado Jornal de Tondela, Edição nº 1060.

Ciência Viva 2011 em São João do Monte

Tema: À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de São João do Monte

Data: 30 de Julho de 2011

Ponto de encontro: Pelourinho de São João do Monte; 9h15m.

Ação orienrada por: João Branco, João Carlos Baptista, Pedro Pereira, Nelson Pereira

Inscrições em WWW.cienciaviva.pt ou através do número 808 200 205

Mini-tornado poderá ter sido causa de destruição

Como já demos conta na última edição deste Jornal, uma área de 10 km2 de vegetação foi completamente destruída em consequência de condições meteorológicas adversas, ventos fortes e queda de neve, que se fizeram sentir na Serra do Caramulo durante a manhã do dia quinze de Fevereiro. A área afectada atingiu três freguesias (São João do Monte, Paranho de Arca e Alcofra). A destruição da vegetação é brutal, árvores de pequeno e médio porte, (em maior percentagem pinheiros, mas também eucaliptos) foram partidas e/ou derrubadas. Curiosamente, noutros locais de maior altitude da Serra, onde ocorreu maior precipitação de neve, não se assistiu a esta destruição.
O Sr. António Correia e a sua esposa Maria Gonçalves Pereira, residentes na povoação de Valdasna, referem que entre as sete e as dez horas da manhã terá ocorrido o “misterioso” fenómeno. No período referido, ouviram com muita frequência, o som das árvores a partir ou a derrubar. Apesar de concordarem com a existência de ventos mais fortes noutras ocasiões, ambos admitem poder ter havido uma forma muito própria de deslocação do vento que associado ao peso da neve sobre as árvores, poderá explicar a catástrofe. Constata-se que a forte destruição foi concentrada num corredor de dez quilómetros de comprimento por 1000 metros de largura (em média), o que permite admitir a hipótese de ter existido um tornado de pequena escala, designado por alguns de mini-tornado. De facto, é frequente um tornado arrasar completamente uma casa e deixar intacta a casa ao lado porque a acção deste fenómeno é concentrada. Esta circunstância faz dos tornados os mais violentos fenómenos atmosféricos e os mais destruidores numa área pequena. A hipótese de ter ocorrido um mini-tornado poderá ser corroborada pelo facto de as árvores se encontrarem derrubadas e partidas em várias direcções, evidenciando um eventual movimento turbilhonar do vento. O corredor de destruição apresenta uma orientação aproximada de Nordeste-Sudoeste, podendo ter sido o sentido de deslocação do referido fenómeno meteorológico. Felizmente nenhum aglomerado populacional foi afectado. Um tornado é caracterizado por ventos rodopiantes muito fortes, podendo atingir, em situações extremas, velocidades da ordem dos 300 Km/h. Alguns duram apenas pouco segundos, enquanto outros se prolongam por mais de uma hora. Uma vez que os mini-tornados são fenómenos de micro escala, a probabilidade de serem observados numa estação meteorológica é pequena, por isso o registo da sua ocorrência, fica muitas das vezes, limitado à descrição das populações, ao rasto de destruição, aos registos escritos e audiovisuais. De salientar que no mundo, os fenómenos climáticos extremos, triplicaram nos últimos cinquenta anos, transformando-se em catástrofes naturais com muitas vítimas e prejuízos. Na opinião de alguns investigadores estes mini-tornados também aconteceram no passado em Portugal, mas nos últimos anos o fenómeno intensificou-se, provavelmente devido ao aquecimento do planeta e às consequentes alterações climáticas.

O Sr. António Correia destacou ainda que para além da destruição massiva das árvores em algumas propriedades, as despesas de limpeza e reflorestação, agravam os prejuízos. Referiu que ao longo dos 10 km, a maior percentagem de árvores destruídas foram pinheiros bravos e lamentou com tristeza a perda completa de um pinhal com nove anos de idade. Espera-se que as entidades competentes sejam sensíveis a esta catástrofe e que tomem medidas com vista a auxiliarem os proprietários florestais a minimizarem os avultados prejuízos.  P.L.S.P. Publicado Jornal de Tondela, edição nº 985.

I Passeio pedestre do GAC



O GAC (Grupo de Amigos do Caselho) organizou um passeio pedestre, em que participaram cerca de cinquenta pessoas. Este Grupo de Amigos, apesar de não estar oficialmente constituído como associação, conta já com um vasto currículo de actividade. No sábado, vinte e seis de Setembro, o passeio contou com a participação de pessoas de vários grupos etários. Foi objectivo deste evento proporcionar um momento de convívio e possibilitar também a descoberta de lendas e segredos destas paragens, a partir dos testemunhos das pessoas com mais idade. Maria Piedade Marques (87 anos), Lídia Pereira Fraga (84 anos), Celso Pereira (76 anos), Idalina Ferreira da Conceição (84 anos), foram os jovens contadores de histórias, tendo demonstrado grande capacidade de comunicação. “Narrar histórias é sempre a arte de as voltar a contar e essa arte perder-se-á se não se conservarem as histórias”. Alguns dos protagonistas referidos, foram transportados em veículo motorizado até ao local do almoço, designado de Lapa da Moura. Aqui, como previsto, aconteceu um agradável almoço, acompanhado com música de fundo, com auxílio de colunas alimentadas por um gerador portátil. Foi também possível um momento de confraternização saudável e ouvir histórias sobre este local e espaço envolvente. Era por estes paragens que noutros tempos, os nossos contadores de histórias guardavam o gado. Surgem muitos cabeços com nomes peculiares, tendo uma história associada à sua toponímica. Enumeramos de seguida aqueles que conseguimos registar: Cabeço das Igrejas, Cabeço da Caldeira, Cabeço do Alto do Corucho, Cabeço Conho da Feira, Cabeço do Vale d’água, Cabeço Rachado, Lapa da Moura, Cabeço da Lapa da Moura, Cabeço Rapó-fole, Cabeço da Erva. O Cabeço da Erva é um bloco granítico com algumas fracturas na parte superior, nas quais, crescem ervas com altura significativa. Noutros tempos, nessas frechas da rocha nidificavam aves de cor preta e branca. O Cabeço do Coruche, localizado nas proximidades do Coruche (marco geodésico de segunda ordem) apresenta uma forma aproximadamente esférica e com cerca de dez metros de diâmetro. Encontra-se ligeiramente alçado na parte inferior num dos lados. A propósito deste cabeço, a Dona Lídia de 84 anos, conta que uns tantos homens das povoações de Dornas e da Daires se juntaram naquele sítio para comerem um carneiro e beberem um odre de vinho. Depois de saciada a fome, decidiram com grande arrojo, fazer rebolar o cabeço pela encosta abaixo (de facto, o homem sempre gostou de desafiar a natureza…). Colocaram calhaus na parte inferior do cabeço e com auxílio de pancas de madeira tentaram fazer rolar o colossal bloco de granito, mas apesar da grande determinação, o esforço foi inglório. Podemos verificar ainda hoje, a existência de calhaus soltos colocados por baixo do cabeço que ajudam a atestar a veracidade da história. A ambição desmedida não é grande virtude!! A Lapa da Moura está associada à lenda mais misteriosa destas paragens. A narração foi feita na primeira pessoa pela Dona Idalina Conceição de 84 anos. Procuramos transcrevê-la para o papel, o mais próximo possível do seu testemunho oral. «Noutros tempos, quando se tocavam por aqui os gados, uma vaca ficou para trás e não chegou ao curral no fim do dia. O proprietário, morador no Caselho, terá pensado que a vaca como estava prenha tivesse ficado para trás para ter a cria. Como já era noite, decidiu ir ao outro dia (dia da festa de S. João Baptista) à procura do animal». O dia da festa de São João Baptista marca a data do solstício de Verão, sendo a sua referência, talvez a memória de algum culto solar pagão. «Como tinha planeado, levantou-se ao alvorecer e lá foi pelo monte fora. Ao chegar ao sítio da lapa da moura viu uma senhora a pentear o cabelo. Diz que era um cabelo lindo. E ele dissera: - Ai que lindo cabelo! A moura tinha ao seu lado umas tesouras de ouro e terá perguntado: - São mais lindas as tesouras ou o meu cabelo? A resposta foi a seguinte: - O cabelo é lindo, mas as tesouras são ainda mais lindas. O homem levou as tesouras de ouro, com a maior alegria da vida e também a vaca com a cria. Quando chegou junto da povoação, no local da aveleira….» Nesta altura da narrativa, alguém terá questionado: Mas era um ou uma? Curiosamente, nesta lenda, o protagonista era um homem bem real como veremos de seguida. «Era um senhor da família da Ti Maria da Caridade, ou era avô ou bisavô. Eram os antigos que contavam e eu lembra-me... Então, como eu estava a contar, o homem quando chegou junto da povoação do Caselho, no local da aveleira, olhou para a mão e as tesouras transformaram-se em carvão. Mas se ele tivesse escolhido o cabelo, já não vinha de lá, porque ficava encantado pela moura». Esta narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos, torna-se interessante pelo seu carácter fantástico e fictício e pela combinação de factos reais com factos irreais, muitos deles, produto da imaginação humana. Outras histórias foram contadas e registadas, no entanto, por serem demasiado extensas, não o faremos neste momento. Confraternização, convívio e perpetuação do património cultural, fins subjacentes à actividade, foram atingidos em pleno. A motivação e empenho deste Grupo de Amigos (GAC) constituíram os ingredientes do sucesso desta actividade. Aguardamos, para breve, um novo passeio!!

Ciência Viva 2009: À Descoberta de Ambientes Ripícolas na Freguesia de S. João do Monte - 29-08-09

Em 29 de Agosto de 2009, vai decorrer pela 2ª vez, uma acção da Ciência Viva na freguesia de São João do Monte.
Título: À Descoberta de Ambientes Ripícolas na Freguesia de S. João do Monte
(Quercus - Núcleo de Vila Real e Viseu)
Data: 29 de Agosto às 09:30 Inscrição Obrigatória (16 vagas)
Descrição: Percurso numa zona de linha de água de montanha: a Serra do Caramulo. Ao longo do percurso observamos e interpretamos aspectos biológicos, geológicos, paisagísticos e patrimoniais relacionados com os Rios Águeda e Mançores.
Ponto de encontro: Pelorinho de S. João do Monte
Como Chegar: Tondela até S. João do Monte ou Caramulo até S. João do Monte
Idade Mínima: 12 anos
Localidade: S. João do Monte / TONDELA / VISEU
Itinerário: Praia fluvial de S. João do Monte-Batoco-Poço Mertangil-Penha da Firma
Número de participantes: 20
Duração: 8 h
Transporte: assegurado a partir do local de encontro
Responsável pela acção: João Carlos C. V. Baptista
Inscrições e mais informações em: http://www.cienciaviva.pt
Notas: Levar comida e água, roupa, chapéu e calçado apropriados. Levar fato de banho e toalha
Informações retiradas de: http://www.cienciaviva.pt/veraocv/biologia/bio2009/
29 de Agosto de 2009
1. Apresentação do tema
Um curso de água constitui uma singularidade ambiental e paisagística dentro das características biogeográficas gerais da área onde se encontra. A maior disponibilidade hídrica e o ambiente mais fresco e sombrio determinam a ocorrência de espécies melhor adaptadas a estas condições. A vegetação que se desenvolve nestas condições chama-se galeria ripícola. A galeria ripícola também é um local que atrai diferentes espécies de aves que aqui encontram protecção, alimento e condições de nidificação.
A composição florística, a estrutura e a disposição destas zonas são determinada principalmente por factores hidrológicos, pelo clima, pelo relevo e por características do solo. De uma forma geral, os ecossistemas ripícolas caracterizam-se por possuírem uma maior diversidade estrutural e específica do que as comunidades vegetais das áreas envolventes.
As zonas ripícolas são importantes para muitos animais que nelas procuram refúgio, diversidade de habitat e abundância de água, ou que as usam como corredor migratório. No próprio curso de água, como resultado da alternância entre zonas não ensombradas e zonas de sombra (proporcionada pelas copas das árvores e arbustos de maior dimensão), os diferentes organismos aquáticos deslocam-se para os locais que apresentam temperaturas mais favoráveis ao seu desenvolvimento. A sombra impede que a temperatura da água seja muito elevada, o que influencia positivamente a quantidade de oxigénio dissolvido, condicionando ainda a fixação no leito de plantas aquáticas intolerantes à sombra, que estão geralmente ausentes ou pouco representadas nos troços ensombrados.
2. Localização
Os locais a visitar neste programa Ciência Viva no Verão 2008, financiado pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, localizam-se na área da freguesia de São João do Monte, concelho de Tondela, distrito de Viseu. A Nordeste confina com o concelho de Oliveira de Frades do mesmo distrito, a Noroeste e a Oeste com concelho de Águeda do distrito de Aveiro, a Sul com a freguesia do Mosteirinho do mesmo concelho e a sudeste com a freguesia do Guardão também do concelho de Tondela.
Toda a área da freguesia (4 814 ha) encontra-se situada na vertente ocidental da Serra do Caramulo. “Com 30 km de comprimento e 1074 m de altitude, a serra do Caramulo constitui uma nítida muralha divisória entre a Beira Litoral e a Beira Alta. A sua disposição é nor-nordeste/su-sudoeste. A sua vertente oriental, imponente escarpa de falha que chega a ter 800 m de altura, sublinha a passagem do ocidente tardi-hercínico Verin-Penacova. A vertente ocidental é menos declivosa e desce progressivamente até à plataforma litoral por um degrau que não ultrapassa os 300 m de altura”. Enciclopédia Geográfica – Selecções do Reader's Digest
3. Hidrografia da freguesia
O rio Águeda e a ribeira de Dornas ou ribeira do Teixo ou ribeira do Souto (designações da carta militar nº187) ou rio de Mançores (designação também atribuída a esta linha de água pelas pessoas da zona) são os dois cursos de água mais importantes da freguesia. Os cursos de água apresentam um encaixe nítido correndo em vales. Toda a freguesia é recortada por imensas linhas de água que correm predominantemente de SE para NO à excepção dos afluentes do rio Águeda que correm na direcção N/S (margem direita) e S/N (margem esquerda). Estes cursos estão associados a uma intensa fracturação e a uma forte escorrência facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes. É neste ambiente hidrográfico que iremos descobrir/explorar alguns dos maravilhosos ambientes ripícolas da freguesia, que nos transmitirão, com toda a certeza, um forte cheiro selvagem. Ficamos com a certeza de que muito há para explorar e descobrir na freguesia de são João do Monte relativamente ao tema, no entanto, fica o desejo de em próximas actividades da Ciência Viva o podermos fazer.
4. Itinerário
4.1.Concentração na Vila de São João do Monte junto ao Pelourinho
Os participantes concentrar-se-ão junto ao Pelourinho e a casa da Câmara (cadeia), localizados no alargo do antigo Concelho. Foi vila e sede de concelho até 1855. Nesse ano, com a reforma de Frederico Guilherme da Silva Pereira e Rodrigo da Fonseca Magalhães o Concelho de São João do Monte foi extinto, passando para Tondela todas as suas freguesias, excepto as de Alcofra, Arca e Varzielas. Em 1997 recuperou o seu título de Vila. A vila de São João é a sede de freguesia e para além deste aglomerado existem mais dezoito povoados, dois deles sem habitantes.
4.2. Percurso Pedestre: Vale da Broa- Chão da Ribeira- Batoco- Solheira- Açor (margens do rio Águeda)
Um percurso de cerca de 3,5 Km, nas margens e leito do rio Águeda, onde se poderão observar aspectos biológicos, geológicos, paisagísticos e patrimoniais. O lugar mais longínquo do ponto de partida chama-se Batoco. Aqui, relativamente próximo da nascente, o curso de água começa a “ganhar algum caudal”, justificando-se, com toda a legitimidade, a designação de Rio Águeda.
Ao nível biológico salientamos algumas das espécies vegetais da galeria ripícola, nomeadamente: salgueiro, amieiro, junco, zangarinho, hortelã d’água …
Ao nível biológico salientamos algumas das espécies vegetais da galeria ripícola, nomeadamente: salgueiro, amieiro, junco, zangarinho, hortelã d’água …
 Ao nível biológico salientamos algumas das espécies vegetais da galeria ripícola, nomeadamente: salgueiro, amieiro, junco, zangarinho, hortelã d’água …
“ Salgueiro é o nome comum das plantas do género salix, família salicaceae. O nome de salix parece proceder do celta e quereria dizer: próximo da água. Tem sido utilizada, experimentalmente, para recuperar águas poluídas devido à sua capacidade para absorver e transformar poluentes em matéria orgânica.” Em Portugal, além do salgueiro branco, existem outras espécies de salgueiro nativas como o salgueiro-negro (salix atrocinerea, brot.). Os salgueiros são das árvores mais características da beira dos rios e dos seus ramos preparam-se os vimes que tanta importância tiveram tradicionalmente na cestaria”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/%20salgueiro). O Amieiro (Alnus glutinosa), também conhecido por Alder, é uma árvore ripícola mediterrânea. A sua madeira resistente à água e de baixa densidade, é muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas. O Amieiro tem como característica sonora um som mais aveludado com grave bastante profundo. O junco (juncos) é uma planta da família das juncáceas. Apresenta caules de cerca de um metro de altura, lisos, cilíndricos, flexíveis, pontiagudos, cor verde-escura por fora e esponjosos e brancos no interior… Cresce em lugares húmidos, próximo dos rios. “No livro dos Salmos, diz-se: «(…) Repreendeu o mar Vermelho e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos, como pelo deserto». O mar não se chamava Vermelho no tempo dos acontecimentos bíblicos. Chamava-se (e é assim que consta do original) mar dos Juncos. NOGUEIRA, 2004. O zangarinho é um arbusto da família das Romnáceas, comum nas terras húmidas. Também conhecido por lagarinho, sanguinho, zangarinheiro e amieiro-negro. A hortelã d’água (Mentha aquática), é uma planta perene, de talos muito ramificados. As flores que aparecem entre Junho e Outubro são muito pequenas e formam uma cabeça rosa ou branca. Cheira a menta e encontra-se em lugares húmidos, rios, ribeiras, fontes e nas beiras de caminhos encharcados. Uma outra espécie que aparece com alguma frequência nas margens do rio, apesar de não ser propriamente ripícola é o gibardeiro. (Ruscus aculeatus L.). Trata-se de um arbusto vivaz, pouco vulgar, que aparece na zona da Europa mediterrânica, estando igualmente presente no Sudoeste da Ásia e no Norte de África. Mantêm-se verde durante todo o ano, apresentando um rizoma, caule subterrâneo, a partir do qual brotam vários caules rígidos e verdes, alcançando entre 10 a 150 cm de altura. O fruto é uma baga de cor vermelha viva com uma a quatro sementes. Dos seus ramos fazem-se vassouras para varrer ruas e limpar chaminés. As espécies descritas, apresentam-se em ambos os troços dos rios a visitar (Águeda e Mançores).
Ao nível do património histórico, destacam-se as poldras, representação zoomórfica e núcleo de sepulturas antropomórficas. Para se atingir as sepulturas ter-se-á de ultrapassar o rio Águeda numas pequenas poldras. As poldras são pedras espetadas em posição vertical no fundo do rio, alinhadas e distanciadas regularmente, para que as pessoas com o alcance de um passo firme e um certo equilíbrio consigam uma travessia em segurança. A representação zoomórfica surge num rochedo, nas proximidades do núcleo de sepulturas antropomórficas. A figura representa um quadrúpede com a cabeça em direcção à terra e a cauda formando uma ligeira espiral (CARVALHO, A., 1981). O núcleo de sepulturas antropomórficas de Valdasna encontra-se situado no Lugar de Açor, sendo constituído por quatro sepulturas antropomórficas e uma grande pia quadrangular escavada na rocha.
4.3. Almoço na mata
Na belíssima mata de São João do Monte predominam carvalhos que proporcionam refrescantes sombras nos meses de Verão. Recentemente foi alvo de uma intervenção que teve a preocupação de manter o equilíbrio entre o natural e o humanizado.
4.4. Praia Fluvial Paraíso
Quem visita esta praia, pode passear ao longo de um enorme manto verde, apreciando o canto dos pássaros e o correr das águas do rio Águeda. Tanta natureza e tanta serenidade são as razões que levam muitos visitantes a procurar este "Paraíso", especialmente, durante os meses de Verão. “ (…) Segundo a portaria, das 16 praias fluviais existentes no distrito, apenas a praia de Folgosa, em Castro Daire, e a praia fluvial de São João do Monte, em Tondela, reúnem as normas de segurança e de qualidade. A lista foi elaborada pelo Instituto da Água (INAG), em conjunto com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR), ”. In Jornal do Centro, ed. 283, 17 de Agosto de 2007. Neste espaço, chamamos também atenção para a antiga ponte românica de cinco arcos que liga as duas metades da vila…
4.5. Mançores
A povoação de Mançores, encontra-se a 150m, sendo a localidade da freguesia com menor altitude. A dividir a aldeia passa o rio, que nesta zona é designado de rio de Mançores (afluente do Águeda). O rio descreve um meandro e surge um poço fluvial com uma profundidade considerável, designado pelos locais de Poço lagar. Aqui realizar-se-á um pequeno percurso junto ao rio, onde se pode observar a beleza paisagística, bem como, descobrir outras espécies ripícolas, para além das descritas anteriormente. Neste rio como no Águeda, destaca-se a riqueza piscícola: trutas, bordalos, enguias…
4.6. Queda de água no rio Águeda- Penha da Firme
O rio Águeda, nasce na Serra do Caramulo e muito se “entusiasma” a levar águas frescas ao Vouga, depois de receber águas do Alfusqueiro, junto de Bolfiar. Nesta zona o rio apresenta um encaixe nítido, correndo num vale apertado (vale em V). Este vale coincide com o contacto ente o granítico e o xistos, podendo o seu curso estar condicionado por falhas. Nas zonas de falha as rochas foram esmagadas e, por isso, a sua alteração química é mais pronunciada. Nestas faixas de falha as rochas são mais facilmente erodidas. As zonas de falha são na maior parte das vezes aproveitadas para a instalação e encaixe dos cursos de água. Por outro lado como o xisto é mais facilmente erodido que o granito e criam-se relevos por erosão diferencial, como é o caso da Penha da Firme.

Prova de peddy-paper

Numa iniciativa espontânea, Jorge Silva, Miguel Gomes e Márcio Silva organizaram um peddy-paper no passado Domingo, dia dezanove. Tratou-se de uma prova pedestre de orientação, que consistiu num percurso ao qual estavam associadas perguntas e tarefas correspondentes a diferentes pontos intermédios (ou postos).

Para além de se percorrer os vários postos assinalados, foi necessário uma abordagem a alguns moradores da povoação de Abóbada para obtenção de algumas respostas. Das várias questões/tarefas apresentadas, destacamos as seguintes: “O ponto 2 é certamente um dos locais mais elevados da Abóbada. Aí existe um arbusto raro. Qual o seu nome?” “Nas proximidades do ponto 1 existe uma rocha que certamente te despertou algum significado. Qual o seu significado?” “Queremos que nos digam o nome de 5 constituintes de um moinho de água, que participem no processo de moagem.” Despertou particular interesse o/a gibardeiro/gibardeira (Ruscus aculeatus L.), resposta correcta à primeira questão. Trata-se de um arbusto vivaz que aparece na zona da Europa mediterrânica, estando igualmente presente no Sudoeste da Ásia e no Norte de África. Mantêm-se verde durante todo o ano, apresentando um rizoma, caule subterrâneo, a partir do qual brotam vários caules rígidos e verdes, alcançando entre 10 a 150 cm de altura. O fruto é uma baga de cor vermelha viva com uma a quatro sementes. Ficamos também a saber que dos seus ramos fazem-se vassouras para varrer ruas e limpar chaminés.

Sobre o significado da palavra peddy-paper, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Peddy-paper, encontram-se algumas curiosidades: “Peddy-paper é uma palavra criada utilizando elementos da língua inglesa, mas que é apenas compreensível em Portugal.(…) O peddy-paper é uma actividade lúdica geralmente ligada à aquisição de conhecimentos sobre um determinado tema ou local. (…) O termo rally-paper (ou rallye-paper), que terá chegado à língua portuguesa através do francês, ficou, em Portugal, associado exclusivamente a provas realizadas em veículo automóvel. O termo peddy-paper foi criado para a variante pedestre.”

Pelas 9h45m, no largo da capela da Nossa Senhora da Visitação, os participantes receberam um guião, do qual constavam as tarefas a realizar, e uma cópia da fotografia aérea da área, que possibilitou uma melhor orientação. Cada equipa demorou em média 1h e 40m a realizar a prova. Distribuídos por seis equipas, a prova contou com a participação de dezassete jovens: Catarina Gonçalves, Marisa Gonçalves, Inês Arêde, Sandra Loureiro, Jorge Gonçalves, Sandra Oliveira, José Fernando, Miguel Gomes, Chaves, Ricardo Oliveira, André Fernandes, Luís Antunes, Pedro Pereira, Paulo Carmo, Nuno, Paulo Fernandes e Sérgio Monteiro. Quatro equipas (B, C, D, E) acertaram quinze respostas, tendo a equipa E (Paulo Carmo e Pedro Pereira) realizado a prova em menos tempo. Para além do convívio e do contacto com a natureza, esta acção permitiu também a descoberta do património natural e humano.

A organização está de parabéns pela forma como dinamizou o evento. Jorge Silva, um dos organizadores, destacou a preciosa colaboração de Nuno Pereira na confecção do almoço e referiu que está a ser ponderada, para breve, a realização de outra actividade do género.

Pedro Luís S. Pereira geo.pedro@hotmail.com
Publicado no Jornal de Tondela. Edição nº 953 - 23/07/09

Caminhada na Natureza- Serra do Caramulo


O ISPAB (Instituto Superior de Paços de Brandão) realizou no dia 25 de Abril a V Caminhada na Natureza - Serra do Caramulo, com a participação de professores, alunos e funcionários desta Instituição. O evento contou com os seguintes apoios: Dr.ª Celeste Fraga, ex-docente do ISPAB; ADRC São João do Monte; Junta de Freguesia de São João do Monte; Museu do Caramulo; Grupo Coral e Instrumental da casa do Povo de Caparrosa; Câmara Municipal de Tondela.
Espera-se que este programa, constitua uma orientação/guia, para quem pretender visitar e conhecer melhor a Serra do Caramulo.
1. APRESENTAÇÃO
A paisagem da Serra do Caramulo é um monumento à natureza e o ar puro e saudável que ali se respira convida a encher os pulmões de ar limpo e fresco, que já foi em tempos idos, terapia para doentes de tuberculose. Trata-se de um lugar surpreendente, de vistas magníficas e de desafios estimulantes. A Serra do Caramulo é quase um lugar secreto e inóspito, mítico e encantador, de contrastes e mistura de cores e imagens entre cumes e vales, onde o ar puro e fresco combina com a paisagem verde, tranquila, deslumbrante e inesquecível, que a todos encanta, convidando à introspecção, oferecendo uma imensa paz de espírito e permitindo o reencontro com nós próprios.
As Vilas de São João do Monte e do Caramulo constituem duas portas de entrada na Serra do Caramulo, elevação de Portugal Continental com 1076m de altitude, que se situa na região de transição da Beira Alta para a Beira Litoral, pertencente ao Distrito de Viseu (Coordenadas GPS: São João do Monte – 40º, 35’ N e 8º, 14’ O; Caramulo – 40º, 34’ N e 8º, 10’ O).
2. INFORMAÇÕES ÚTEIS
Os percursos pedestres a realizar são de pequena rota, um circular e outro linear, por caminhos tradicionais e de montanha, reduzindo-se os asfaltados ao mínimo possível, com um nível de dificuldade médio e revestem-se de interesse patrimonial, cultural, ambiental, paisagístico e etnográfico.
Os participantes devem fazer-se acompanhar de pequena mochila com garrafas de água, fruta e muda de roupa (caso necessário).
Aconselha-se calçado e vestuário cómodos, adequados para passeio pedestre (preferencialmente de tipo desportivo e botas de montanha), calções de banho, creme protector solar e máquina fotográfica.
3. PROGRAMA
9h45 – Chegada prevista a São João do Monte
A vila de São João é a sede de freguesia e para além deste aglomerado existem mais dezoito povoados, dois deles sem habitantes. São João do Monte é uma freguesia do Concelho de Tondela, distrito de Viseu, com 48,41 Km2 de área e 1096 habitantes (dados de 2001), tendo sido vila e sede de Concelho até 1855. Em 1997 recuperou o seu título de vila.
10h00 – Início do percurso pedestre em São João do Monte. Duração prevista do percurso pedestre: 2h20m
13h00 – Almoço no Parque de Merendas da Mata de São João do Monte
15h00 – Visita aos museus de Arte e Automóveis do Caramulo (facultativa)
A paisagem agreste da montanha, o verde intenso do bosque, os prados de montanha, os montados graníticos, as águas cristalinas dos riachos, os moinhos de água e os elementos iconográficos de natureza religiosa caracterizam os percursos pedestres a realizar, de grande diversidade biológica, onde não faltará a oportunidade para viajar até ao passado, na vasta colecção de automóveis clássicos de grande valor histórico e de brinquedos que se encontram no Museu do Caramulo e conhecer a valiosa e variada colecção de arte que aí se encontra patente, integrada por escultura, ourivesaria, marfim, porcelanas, mobiliário, têxteis, cerâmica, vidros, esmaltes e pintura, desconhecida do grande público, onde se destacam obras de Pablo Picasso, Salvador Dali, Dufy Legér, jean Lurçat, Grão Vasco, Veira da Silva, Columbano, Silva Porto e Amadeo Sousa Cardoso, a fazer deste museu um dos mais importantes da Península Ibérica.
16h20 – Fim previsto da visita ao Museu do Caramulo
16h30 – Penedo do equilíbrio, junto à povoação de Pedrógão
Trata-se de um bloco granítico semi-arredondado que se encontra sobre outro, apresentando um fabuloso aspecto de precário equilíbrio.
16h40 – Início do percurso pedestre do Caramulinho, junto ao Teixo (Taxus baccata). Duração prevista do percurso pedestre do Caramulinho: 1:00 h
Teixo (Taxus baccata)
O teixo é uma espécie gimnospérmica pertencente à família Taxaceae. Esta família é formada por árvores e arbustos de folha perene. A população do teixo tem vindo a diminuir nos últimos 4000 anos e actualmente está catalogada como espécie rara e ameaçada de extinção, principalmente na Península Ibérica, na Noruega …
Caminhada
Um percurso linear com cerca de 2 km até ao Caramulinho. Chama-se a atenção para a observação dos rochedos, que na imaginação de cada um, toma diversos significados. Conforme o ângulo que são vistos, assemelham-se a figuras geométricas, zoomórficas... Adjectivos para a sua beleza, ficam ao critério de cada um…
Caramulinho
O cabeço do Caramulinho é um excelente miradouro e constitui o ponto com maior altitude da Serra (1076m de altitude). Apresenta uma área aplanada junto à base e o seu pico descarnado deve-se a processos de erosão.
17h50 – Pedra do cabeço de cão (snoppy)
A meteorização física e química das rochas está condicionada pelas características intrínsecas à própria rocha (composição mineralógica, textura e porosidade), pelas descontinuidades da rocha (falhas e diaclases), instalação de seres vivos vegetais e animais e pelo clima, o que origina formas dispares, assemelhando-se a figuras humanas e de animais, como é o caso da pedra do cabeço cão, também conhecida por snoppy.
17h55 – Viagem até São João do Monte, passando por aldeias serranas
O granito era o esteio da arquitectura rude e simples das aldeias serranas. “Recentemente” outros materiais subiram a serra e novas construções surgiram na paisagem, algumas delas, denotando perda de identidade com o meio que as rodeia. No entanto, ainda são bem visíveis, inúmeras “velhas” casas que resistem como fortalezas.
18h00 – Convívio musical na Mata de São João do Monte com actuação do Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa
Terminaremos a V Caminhada na Natureza ISPAB 2009 a cantar com o Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa pois, “quem canta, seus males espanta”.
O Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa (freguesia situada na vertente oriental da Serra do Caramulo, que integra as povoações de Caparrosa, Caparrosinha, Paranho de besteiros e Souto Bom) foi criado em 1980 e teve, desde logo, uma forte implantação na comunidade da qual emergiu. Concluídos 28 anos de existência, o grupo conta já com vários CD´s editados, encontrando-se já a trabalhar num novo disco que espera lançar durante o decurso de 2009. “Ao Luar” é considerado o seu trabalho mais representativo, trazendo “ecos de amor envolvidos em Luar” – “…Que lindo brilho tem o luar, que lindos olhos tens para amar…” “Os teus olhos moreninhos, que eu gosto de admirar, enchem os meus de carinhos, quando te vejo ao luar.” As raízes musicais do Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa remontam há algumas gerações, estando a sua orientação musical influenciada por “anteriores tunas existentes e que animavam as festas e danças da freguesia e localidades limítrofes”. Por esse motivo, toda a sua sonoridade musical se baseia em instrumentos de cordas então utilizados.
Ao longo dos seus anos de existência, este grupo tem privilegiado a música tradicional com base em recolha de temas antigos, mantendo-se fiel à música etnográfica, e tem-se constituído como “bandeira” da região a que pertence, com inúmeras e valiosas actuações no país e no estrangeiro.
Textos de: Pedro Luís S. Pereira & José Manuel Carmo da Silva