Nota: Levar roupa e calçado apropriados, chapéu, água, merenda, fato de banho e toalha
«...um monstro fabuloso adormecido». Amorim Girão; «a mais linda serra de Portugal». José Júlio César; «a mais pitoresca talvez...». Guia de Portugal; «... é região cheia de encantos». João Arede (Abade de Cucujães).
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- Este blog, amador, foi criado com o intuito de divulgar atividades e acontecimentos relevantes da Serra do Caramulo, bem como o seu património! Fornece, também, informações importantes para quem pretende visitar e conhecer a região! "Viaje" pela Serra (des)conhecida, explorando os seus conteúdos!
Ciência Viva em São João do Monte - 04-08-2012
Nota: Levar roupa e calçado apropriados, chapéu, água, merenda, fato de banho e toalha
PRAIA FLUVIAL PARAÍSO e POÇO LAGAR
Jornada Ripícola de S. João do Monte
A acta da sessão extraordinária de 6 de Abril de 1887, da Junta de freguesia de S. João do Monte, esclarece contemporâneos e vindouros, nomeadamente os participantes do programa Ciência Viva, na inesquecível jornada de 30 de Julho de 2011, com todo o respeito pelos normativos legais, que no “ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e sete, aos seis dias do mês de Abril, a junta de Paróquia de S. João do Monte concelho de Tondella se reuniu em sessão extraordinária (para o que tinha sido previamente convocada) sob a presidência de Jacinto Henriques Soares, que estava presente, com os vogais António Martins de Almeida, António Fernandes Pereira, Salvador Henriques Monteiro de Carvalho e Manuel Antunes Pereira”. Depois de “aberta a sessão e lida e aprovada a acta antecedente”, ficou a Junta a saber “que a Ex.ma Câmara de Tondella resolvera vender a antiga casa da cadeia, de que nos servíamos para a escolla do sexo masculino e como nesta freguesia não havia casa para outra escola o Presidente e Vice-Presidente da Junta” decidiram solenemente perfilhá-la com esta educativa finalidade.
Pois bem, foi neste precioso santuário de redenção terrena e de amor às primeiras letras, agora sede cultural, bem perto do Paraíso (praia fluvial) que, aí pelas nove manhã, algumas dezenas de caminheiros, muitos de bem perto, outros de bem longe, se conheceram e deram a conhecer, antes de provarem as mimosas oferendas doces e matinais da ACDR de S. João do Monte, sábia e docemente conduzida pelo Sr. Mário. Não fosse irreverência e registar-se-ia aqui, neste improvisado quadro de honra, a memória daquele bolo, bem negro e bem húmido, de açúcares equilibrados, exuberante de frescura, com inesquecível final de boca, boas notas aromáticas a cereja preta e frutos silvestres, assistido de vinho doce…
Enxergou-se bem, in loco, como este incansável dinamizador da cultura local e denodado ex-combatente das matas de Angola, o sr. Mário, que acompanhou minuciosamente todos os passos da jornada, com insuperável maestria.
Organização
Os objectivos e locais visitados, nesta iniciativa do programa Ciência Viva, no Verão 2011, organizado pela Quercus – Núcleo Regional de Vila Real e Viseu, foram seleccionados de acordo e com os apoios da Junta de Freguesia e da Associação Desportiva Cultural e Recreativa (ADCR) de S. João do Monte. É de inteira justiça salientar o apoio da D. Odete, briosa ex-moradora da aldeia de Vale de Lobo que, no frondoso bosque e Parque de Merendas da freguesia, consegue sempre cozinhar a melhor feijoada.
Há que salientar, com inteira justiça, ainda que a modéstia do próprio não se conforme com tal destaque, o empenhamento do geógrafo Dr. Pedro Pereira que, ano após ano, arregimenta meios e vontades por forma a assegurar esta iniciativa de carácter nacional. É notório o empenho na divulgação da terra e cultura caramulanas. De salientar ainda que não se limita a este único evento anual. Ao longo do ano, convida – e convence… - pessoas de várias áreas do saber, com destaque para pessoas que conduzem estudos ou complementos de habilitações superiores.
O geólogo Prof. Doutor João Carlos Baptista, ainda que tenha em mãos um inesperado problema relativo ao apelido, com o novo acordo ortográfico, recebeu a habitual recompensa pela sua aplicação pedagógica, atlética e organizativa, com o mergulho final na costumeira cascata do “Rio da Quinta”, o famoso Poço da Pena Branca, já nas proximidades da Quinta de Menderes. E note-se que uma Serra como o Caramulo oferece imensa matéria mineral para interpretação e… transpiração.
O Engenheiro Florestal João Branco, sempre disponível e eloquente na interpretação da vida animal e vegetal, nunca largou o trabalhoso e completo “kit” fotográfico, com pesada máquina, teleobjectiva e tripé. Não lhe escaparia nada que se parecesse com tritão, borboleta ou tentilhão.
Fica o registo da participação assídua e carismática da enfermeira Ana Sofia Pereira, natural da vila de S. João do Monte, que, ditosamente, ainda não precisou de ultrapassar a barreira do mero apoio moral aos caminheiros.
Finalmente, um agradecimento especial ao Sr. Elísio, antigo moleiro, que apresentou, de uma forma bem esclarecedora, o seu depoimento especial, aos caminheiros, sobre a vida de moleiro que Deus lhe deu durante muitos anos. Falou, a convite do Dr. Pedro, das peças do moinho, das características e cuidados com as mós, das serventias da água do rio para as moagens e de alguns episódios que o marcaram nesta já nostálgica actividade.
Rio e ribeira
O rio Águeda e a ribeira de Dornas ou ribeira do Teixo ou ribeira do Souto (indicações da carta militar nº187) ou rio de Mançores (designação também atribuída a esta linha de água pela população local) são os dois cursos de água mais importantes da freguesia.
Toda a freguesia é rendilhada por um sem número de linhas de água que se encaixam e aconchegam nitidamente em vales de profundidade variável, mas de verde sempre bem equilibrado e suculento. Estes cursos estão associados a uma enérgica fracturação e a uma forte escorrência, facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes.
Foi neste ambiente hidrográfico que se descobriram e exploraram alguns dos deslumbrantes ambientes ripários da freguesia. Deram eles boa nota do fortíssimo carácter natural duma terra que não teme a proximidade das estrelas.
António de Brum Ferreira escreve, em 1978, no seu livro “Planaltos e Montanhas do Norte da Beira - Estudo de Geomorfologia” que “a juzante de Varzielas há um degrau bem demarcado, seguindo-se um nível de 600-650 metros de altitude, que atinge um grande desenvolvimento em Arca - S. João do Monte (2 km de largura), tanto no granito do Caramulo como numa mancha xisto-migmatítica”.
Por toda a Serra do Caramulo, há realmente desnivelamentos para todos os gostos. Uma belíssima riqueza que deslumbra todos os numerosos visitantes, ainda que isso tenha de se pagar em pernas e muito suor.
Num dia de calor intenso, como foi o caso, o pensamento dos caminheiros ia frequentemente para a ostentosa Praia Fluvial de S. João do Monte, bem dita do Paraíso, alimentada pelo Rio Águeda. Ainda no imaginário dos andantes calhavam bem as sombras dos salgueiros e amieiros do “jovem” Rio Águeda, partilhadas por alguns lamas, bichos do deserto de Atacama, em cercado junto à igreja paroquial, em cujas imediações a Junta de Freguesia se esmerou na limpeza de muitas veredas. Não precisavam elas, outrora, de outra manutenção que não fosse a da azáfama quotidiana dos muitos moradores que, nas suas deambulações, amanhavam as terras férteis dos vales ou, até, as mais áridas das encostas dos montes.
Tamancos, socas ou botas não davam às ervas o sossego que, agora, lhes traz a desertificação que se vai constatando. E a culpa não é só da falta de pés e respectivos adereços, mas desta venerada civilização que trouxe tão boas estradas, isto é, um luxo, outrora improvável, de percursos alternativos.
Que pena não se cumprirem agora, por aqui e noutras bandas, as palavras de Homero: “A terra negra produz trigo e aveia, as árvores carregam-se de frutos, as ovelhas não se cansam de dar crias”!…
Texto: Nelson Rodrigues Pereira Fotos: João Carlos Baptista . Publicado Jornal de Tondela, Edição nº 1060.
Ciência Viva 2011 em São João do Monte
Data: 30 de Julho de 2011
Ponto de encontro: Pelourinho de São João do Monte; 9h15m.
Ação orienrada por: João Branco, João Carlos Baptista, Pedro Pereira, Nelson Pereira
Inscrições em WWW.cienciaviva.pt ou através do número 808 200 205
Mini-tornado poderá ter sido causa de destruição
I Passeio pedestre do GAC
Ciência Viva 2009: À Descoberta de Ambientes Ripícolas na Freguesia de S. João do Monte - 29-08-09
Título: À Descoberta de Ambientes Ripícolas na Freguesia de S. João do Monte
(Quercus - Núcleo de Vila Real e Viseu)
Data: 29 de Agosto às 09:30 Inscrição Obrigatória (16 vagas)
Descrição: Percurso numa zona de linha de água de montanha: a Serra do Caramulo. Ao longo do percurso observamos e interpretamos aspectos biológicos, geológicos, paisagísticos e patrimoniais relacionados com os Rios Águeda e Mançores.
Ponto de encontro: Pelorinho de S. João do Monte
Como Chegar: Tondela até S. João do Monte ou Caramulo até S. João do Monte
Idade Mínima: 12 anos
Localidade: S. João do Monte / TONDELA / VISEU
Itinerário: Praia fluvial de S. João do Monte-Batoco-Poço Mertangil-Penha da Firma
Número de participantes: 20
Duração: 8 h
Transporte: assegurado a partir do local de encontro
Responsável pela acção: João Carlos C. V. Baptista
Inscrições e mais informações em: http://www.cienciaviva.pt
Notas: Levar comida e água, roupa, chapéu e calçado apropriados. Levar fato de banho e toalha
Informações retiradas de: http://www.cienciaviva.pt/veraocv/biologia/bio2009/
Prova de peddy-paper
Numa iniciativa espontânea, Jorge Silva, Miguel Gomes e Márcio Silva organizaram um peddy-paper no passado Domingo, dia dezanove. Tratou-se de uma prova pedestre de orientação, que consistiu num percurso ao qual estavam associadas perguntas e tarefas correspondentes a diferentes pontos intermédios (ou postos).
Para além de se percorrer os vários postos assinalados, foi necessário uma abordagem a alguns moradores da povoação de Abóbada para obtenção de algumas respostas. Das várias questões/tarefas apresentadas, destacamos as seguintes: “O ponto 2 é certamente um dos locais mais elevados da Abóbada. Aí existe um arbusto raro. Qual o seu nome?” “Nas proximidades do ponto 1 existe uma rocha que certamente te despertou algum significado. Qual o seu significado?” “Queremos que nos digam o nome de 5 constituintes de um moinho de água, que participem no processo de moagem.” Despertou particular interesse o/a gibardeiro/gibardeira (Ruscus aculeatus L.), resposta correcta à primeira questão. Trata-se de um arbusto vivaz que aparece na zona da Europa mediterrânica, estando igualmente presente no Sudoeste da Ásia e no Norte de África. Mantêm-se verde durante todo o ano, apresentando um rizoma, caule subterrâneo, a partir do qual brotam vários caules rígidos e verdes, alcançando entre
Sobre o significado da palavra peddy-paper, em http://pt.wikipedia.org/wiki/Peddy-paper, encontram-se algumas curiosidades: “Peddy-paper é uma palavra criada utilizando elementos da língua inglesa, mas que é apenas compreensível em Portugal.(…) O peddy-paper é uma actividade lúdica geralmente ligada à aquisição de conhecimentos sobre um determinado tema ou local. (…) O termo rally-paper (ou rallye-paper), que terá chegado à língua portuguesa através do francês, ficou, em Portugal, associado exclusivamente a provas realizadas em veículo automóvel. O termo peddy-paper foi criado para a variante pedestre.”
Pelas 9h45m, no largo da capela da Nossa Senhora da Visitação, os participantes receberam um guião, do qual constavam as tarefas a realizar, e uma cópia da fotografia aérea da área, que possibilitou uma melhor orientação. Cada equipa demorou em média 1h e 40m a realizar a prova. Distribuídos por seis equipas, a prova contou com a participação de dezassete jovens: Catarina Gonçalves, Marisa Gonçalves, Inês Arêde, Sandra Loureiro, Jorge Gonçalves, Sandra Oliveira, José Fernando, Miguel Gomes, Chaves, Ricardo Oliveira, André Fernandes, Luís Antunes, Pedro Pereira, Paulo Carmo, Nuno, Paulo Fernandes e Sérgio Monteiro. Quatro equipas (B, C, D, E) acertaram quinze respostas, tendo a equipa E (Paulo Carmo e Pedro Pereira) realizado a prova em menos tempo. Para além do convívio e do contacto com a natureza, esta acção permitiu também a descoberta do património natural e humano.
A organização está de parabéns pela forma como dinamizou o evento. Jorge Silva, um dos organizadores, destacou a preciosa colaboração de Nuno Pereira na confecção do almoço e referiu que está a ser ponderada, para breve, a realização de outra actividade do género.
Pedro Luís S. Pereira geo.pedro@hotmail.com
Publicado no Jornal de Tondela. Edição nº 953 - 23/07/09
Caminhada na Natureza- Serra do Caramulo
O ISPAB (Instituto Superior de Paços de Brandão) realizou no dia 25 de Abril a V Caminhada na Natureza - Serra do Caramulo, com a participação de professores, alunos e funcionários desta Instituição. O evento contou com os seguintes apoios: Dr.ª Celeste Fraga, ex-docente do ISPAB; ADRC São João do Monte; Junta de Freguesia de São João do Monte; Museu do Caramulo; Grupo Coral e Instrumental da casa do Povo de Caparrosa; Câmara Municipal de Tondela.
Batem leve, levemente
Várias são as pessoas das povoações mais serranas que não conseguem tirar os automóveis das garagens, vendo-se impossibilitadas de irem para os seus empregos.
É inegável que o actual Inverno e o último Outono caracterizaram-se por um número elevado de ocorrências de queda de neve, contrariamente ao que tem acontecido em anos anteriores. Será um sintoma de anomalia climática, consequência do aquecimento global, ou apenas um fenómeno cíclico? A resposta carece de investigação científica, contudo, em três décadas de existência, não me recordo de algo semelhante. Vou continuar a estar atento às previsões meteorológicas e às vontades do São Pedro!
Diversas são as descrições e poemas de cenários de neve, mas a Balada de neve de Augusto Gil, que várias vezes ouvi na infância, declamada de memória pelo meu pai, é sem dúvida um dos poemas que eu mais gosto de recordar nestes momentos. Não resisto em escrever, aqui, os primeiros versos:
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Jornal de Tondela, Edição N.º 927 - 20/01/2009
A Rota do Mestre Garino
D. Afonso Henriques em 1131, concedeu carta de doação da vila de São João do Monte, a Mestre Garino, frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra.
“Que a vila de São João do Monte vem de há mais de 900, talvez mais de mil anos, comprova o, entre outros documentos, a doação feita por D. Afonso Henriques, em 1131, quando ainda príncipe, a mestre Garino, frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra, e que se encontra nos documentos da Chancelaria de D. Afonso Henriques…” César, J. & Figueiredo M. (1949).
A Rota
No Domingo de manhã, um grupo de amigos, procurando descobrir um pouco mais sobre Mestre Garino, realizou uma caminhada até ao local onde existem vestígios da sua habitação. A saída do largo da feira, junto aos bombeiros, aconteceu por volta das 9h00. Durante o percurso observaram-se inúmeros aspectos de ordem humana e natural (flora, fauna, vistas panorâmicas, alminhas, rochedos …). A carta militar 1/25 000, número 187, foi uma preciosa fonte de informação. Tratou-se de um itinerário circular com cerca de 7km por caminhos e carreiros de montanha. Carlos Pereira, Nuno Monteiro, António Mota, Arménio Lomba, José Gonçalves, Pedro Pereira, Miguel Silva, Paulo Fernandes, Miguel Gomes e Márcio Silva, constituíram a lista dos participantes nesta caminhada.
Ouvimos falar desde a infância que mestre Garino terá vivido nesta zona, mais precisamente num lugar isolado e alcantilado, conhecido por Esturrenheira. Trata-se sem dúvida, de um espaço com características especiais, para quem quisesse levar uma vida de ermitão e dedicada ao culto divino. Alguns dos participantes já estiveram no local, no entanto, tiveram dificuldade na localização exacta das ruínas, devido a um denso e impenetrável matagal.
«Carta de Doação a Mestre Garino da Vila de S.joão (do Monte)»
«Em nome da Santa e individua Trindade, Padre, Filho e Espirito Santo, Trindade inseparável que nunca terá fim por todos os séculos dos séculos.
Eu, Afonso. egrégio infante, filho do Conde D. Henrique e da Rainha Teresa, e neto do gloriosissimo imperador das Espanhas por graça de Deus principe de todo o Condado Portucalense, com toda a paz e tranquilidade do meu espírito, e de livre e boa vontide, e em testemunho de benevolência para convosco, Mestre Garino, e vossos Irmãos (monacais), faço Carta (de doação) da vila de S. João (do Monte) com todos os seus termos como divide com Paranho e com Covelo e com Macieira e Besteiros, por onde corre o Rio Águeda. Isto faço de minha própria vontade pela minha alma e da de meu pai e de minha mãe para nossa eterna salvação.
E desde hoje para todo sempre seja (a vila de S. João) alienada do meu direito e em vosso domínio entregue e confirmado perpetuamente.
Feita esta Carta em 18 de Julho de 1131. Eu, Afonso, supra nominado, roboro esta Carta por minha própria mão. Ermigo Moniz-testifico. Hero de Bridi-testifico. Gonçalo Rodrigo-testifico. Serrasino de Espini-testifico. Nuno Soares-testifico. Fernando Cativo-testifico. Pedro notário a escrevi.»
Torre do Tombo- Col.esp. Parte II, Caixa 35, maço 3 (Cartório de S. Cruz). Extraído de: César, J. & Figueiredo M. (1949)- O Couto de Alcofra e São João do Monte. Tradução de Padre João Domingues de Arede.
Balanço
Esta caminhada permitiu aos participantes descobrir um pouco mais da história e do espaço da sua terra. Possibilitou também, bons momentos de convívio. Esperamos que este registo, constitua uma orientação na elaboração de um percurso pedestre, a começar pelo título. Está agendado para o próximo fim-de-semana outra caminhada, podendo aparecer todos aqueles que gostem deste tipo de actividades.
Pedro Pereira
plsp@sapo.pt
Geologia, Paisagem e Património da Freguesia de S. João do Monte
Concentração na Vila de São João do Monte junto ao PelourinhoPela manhã os dezoito participantes encontraram-se junto ao pelourinho, onde foi feita uma apresentação individual e distribuído o roteiro. São João do Monte foi Vila e sede de concelho até 1855. Nesse ano, com a reforma de Frederico Guilherme da Silva Pereira e Rodrigo da Fonseca Magalhães o concelho foi extinto, passando para Tondela todas as suas freguesias, excepto as de Alcofra, Arca e Varzielas. Em 1997 recuperou o seu título de Vila. Pelo meio da localidade, passa o rio Águeda, onde existe uma praia fluvial com beleza impar a fazer jus ao seu próprio nome: Praia fluvial Paraíso. O Jornal do Centro, na ed. 283, 17 de Agosto de 2007, na notícia “Distrito com duas praias fluviais classificadas” refere o seguinte: “… das 16 praias fluviais existentes no distrito, apenas a praia de Folgosa, em Castro Daire, e a praia fluvial de São João do Monte, em Tondela, reúnem as normas de segurança e de qualidade. A lista foi elaborada pelo Instituto da Água (INAG), em conjunto com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR), …”.
Formas graníticas junto a Almofala
Neste local, foi realizada uma observação de blocos graníticos que se assemelham a figuras geométricas, zoomórficas... Os granitos, gerados a
O Caramulinho” é um excelente miradouro e constitui o ponto com maior altitude da Serra (1074m de altitude). Apresenta uma área aplanada junto à base e o seu pico descarnado deve-se à erosão. É uma zona de fronteira entre as freguesias do Guardão e de São João do Monte. Estes relevos de dureza resultaram de relações entre tipo de rocha, tectónica e erosão.
Cabeço das Buracas (junto à povoação do Teixo)
O rio Águeda nasce na Serra do Caramulo e muito se “entusiasma” a levar águas frescas ao Vouga, depois de receber águas do Alfusqueiro, junto a Bolfiar. Os cursos de água nesta região apresentam um encaixe nítido, correndo muitas vezes em vales apertados. Estes vales coincidem com o contacto entre granito e xisto, podendo o seu curso estar condicionado por falhas. Nas zonas de falha, o granito está “esmagado” e por isso a sua alteração química é mais pronunciada e as rochas são facilmente erodidas. Por outro lado, como o xisto é mais facilmente erodido que o granito, criam-se relevos por erosão diferencial.
“Poços fluviais da Pena Branca e Mertangil” - ribeira do Souto
Toda a freguesia é recortada por muitos cursos de água, associados a uma intensa fracturação da zona e a uma forte escorrência facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes. Os dois cursos de água mais importantes da freguesia de São João do Monte são o rio Águeda e a ribeira das Dornas ou ribeira do Souto (designações presentes na carta militar nº 187, 1/25 000). Os participantes tiveram oportunidade de desfrutar da beleza ímpar destes ambientes fluviais e alguns deles aproveitaram para tomarem um banho refrescante.
BalançoA acção terminou na mata de São João no final do dia, com um pequeno lanche. Os responsáveis pela acção, Pedro Pereira, Nelson Pereira e João Carlos Baptista, em conjunto com os restantes participantes fizeram um balanço muito positivo sobre a forma como decorreram os trabalhos, perspectivando-se para o próximo ano uma nova acção deste género. Luís Henriques Pereira, presidente da Junta de Freguesia, participou na acção e referiu que se tratou de uma actividade importante na divulgação do património natural da freguesia, constituindo mais uma forma de promoção do desenvolvimento.
P.L.S.P.
plsp@sapo.pt






