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Este blog, amador, foi criado com o intuito de divulgar atividades e acontecimentos relevantes da Serra do Caramulo, bem como o seu património! Fornece, também, informações importantes para quem pretende visitar e conhecer a região! "Viaje" pela Serra (des)conhecida, explorando os seus conteúdos!

Caminhada na Natureza- Serra do Caramulo


O ISPAB (Instituto Superior de Paços de Brandão) realizou no dia 25 de Abril a V Caminhada na Natureza - Serra do Caramulo, com a participação de professores, alunos e funcionários desta Instituição. O evento contou com os seguintes apoios: Dr.ª Celeste Fraga, ex-docente do ISPAB; ADRC São João do Monte; Junta de Freguesia de São João do Monte; Museu do Caramulo; Grupo Coral e Instrumental da casa do Povo de Caparrosa; Câmara Municipal de Tondela.
Espera-se que este programa, constitua uma orientação/guia, para quem pretender visitar e conhecer melhor a Serra do Caramulo.
1. APRESENTAÇÃO
A paisagem da Serra do Caramulo é um monumento à natureza e o ar puro e saudável que ali se respira convida a encher os pulmões de ar limpo e fresco, que já foi em tempos idos, terapia para doentes de tuberculose. Trata-se de um lugar surpreendente, de vistas magníficas e de desafios estimulantes. A Serra do Caramulo é quase um lugar secreto e inóspito, mítico e encantador, de contrastes e mistura de cores e imagens entre cumes e vales, onde o ar puro e fresco combina com a paisagem verde, tranquila, deslumbrante e inesquecível, que a todos encanta, convidando à introspecção, oferecendo uma imensa paz de espírito e permitindo o reencontro com nós próprios.
As Vilas de São João do Monte e do Caramulo constituem duas portas de entrada na Serra do Caramulo, elevação de Portugal Continental com 1076m de altitude, que se situa na região de transição da Beira Alta para a Beira Litoral, pertencente ao Distrito de Viseu (Coordenadas GPS: São João do Monte – 40º, 35’ N e 8º, 14’ O; Caramulo – 40º, 34’ N e 8º, 10’ O).
2. INFORMAÇÕES ÚTEIS
Os percursos pedestres a realizar são de pequena rota, um circular e outro linear, por caminhos tradicionais e de montanha, reduzindo-se os asfaltados ao mínimo possível, com um nível de dificuldade médio e revestem-se de interesse patrimonial, cultural, ambiental, paisagístico e etnográfico.
Os participantes devem fazer-se acompanhar de pequena mochila com garrafas de água, fruta e muda de roupa (caso necessário).
Aconselha-se calçado e vestuário cómodos, adequados para passeio pedestre (preferencialmente de tipo desportivo e botas de montanha), calções de banho, creme protector solar e máquina fotográfica.
3. PROGRAMA
9h45 – Chegada prevista a São João do Monte
A vila de São João é a sede de freguesia e para além deste aglomerado existem mais dezoito povoados, dois deles sem habitantes. São João do Monte é uma freguesia do Concelho de Tondela, distrito de Viseu, com 48,41 Km2 de área e 1096 habitantes (dados de 2001), tendo sido vila e sede de Concelho até 1855. Em 1997 recuperou o seu título de vila.
10h00 – Início do percurso pedestre em São João do Monte. Duração prevista do percurso pedestre: 2h20m
13h00 – Almoço no Parque de Merendas da Mata de São João do Monte
15h00 – Visita aos museus de Arte e Automóveis do Caramulo (facultativa)
A paisagem agreste da montanha, o verde intenso do bosque, os prados de montanha, os montados graníticos, as águas cristalinas dos riachos, os moinhos de água e os elementos iconográficos de natureza religiosa caracterizam os percursos pedestres a realizar, de grande diversidade biológica, onde não faltará a oportunidade para viajar até ao passado, na vasta colecção de automóveis clássicos de grande valor histórico e de brinquedos que se encontram no Museu do Caramulo e conhecer a valiosa e variada colecção de arte que aí se encontra patente, integrada por escultura, ourivesaria, marfim, porcelanas, mobiliário, têxteis, cerâmica, vidros, esmaltes e pintura, desconhecida do grande público, onde se destacam obras de Pablo Picasso, Salvador Dali, Dufy Legér, jean Lurçat, Grão Vasco, Veira da Silva, Columbano, Silva Porto e Amadeo Sousa Cardoso, a fazer deste museu um dos mais importantes da Península Ibérica.
16h20 – Fim previsto da visita ao Museu do Caramulo
16h30 – Penedo do equilíbrio, junto à povoação de Pedrógão
Trata-se de um bloco granítico semi-arredondado que se encontra sobre outro, apresentando um fabuloso aspecto de precário equilíbrio.
16h40 – Início do percurso pedestre do Caramulinho, junto ao Teixo (Taxus baccata). Duração prevista do percurso pedestre do Caramulinho: 1:00 h
Teixo (Taxus baccata)
O teixo é uma espécie gimnospérmica pertencente à família Taxaceae. Esta família é formada por árvores e arbustos de folha perene. A população do teixo tem vindo a diminuir nos últimos 4000 anos e actualmente está catalogada como espécie rara e ameaçada de extinção, principalmente na Península Ibérica, na Noruega …
Caminhada
Um percurso linear com cerca de 2 km até ao Caramulinho. Chama-se a atenção para a observação dos rochedos, que na imaginação de cada um, toma diversos significados. Conforme o ângulo que são vistos, assemelham-se a figuras geométricas, zoomórficas... Adjectivos para a sua beleza, ficam ao critério de cada um…
Caramulinho
O cabeço do Caramulinho é um excelente miradouro e constitui o ponto com maior altitude da Serra (1076m de altitude). Apresenta uma área aplanada junto à base e o seu pico descarnado deve-se a processos de erosão.
17h50 – Pedra do cabeço de cão (snoppy)
A meteorização física e química das rochas está condicionada pelas características intrínsecas à própria rocha (composição mineralógica, textura e porosidade), pelas descontinuidades da rocha (falhas e diaclases), instalação de seres vivos vegetais e animais e pelo clima, o que origina formas dispares, assemelhando-se a figuras humanas e de animais, como é o caso da pedra do cabeço cão, também conhecida por snoppy.
17h55 – Viagem até São João do Monte, passando por aldeias serranas
O granito era o esteio da arquitectura rude e simples das aldeias serranas. “Recentemente” outros materiais subiram a serra e novas construções surgiram na paisagem, algumas delas, denotando perda de identidade com o meio que as rodeia. No entanto, ainda são bem visíveis, inúmeras “velhas” casas que resistem como fortalezas.
18h00 – Convívio musical na Mata de São João do Monte com actuação do Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa
Terminaremos a V Caminhada na Natureza ISPAB 2009 a cantar com o Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa pois, “quem canta, seus males espanta”.
O Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa (freguesia situada na vertente oriental da Serra do Caramulo, que integra as povoações de Caparrosa, Caparrosinha, Paranho de besteiros e Souto Bom) foi criado em 1980 e teve, desde logo, uma forte implantação na comunidade da qual emergiu. Concluídos 28 anos de existência, o grupo conta já com vários CD´s editados, encontrando-se já a trabalhar num novo disco que espera lançar durante o decurso de 2009. “Ao Luar” é considerado o seu trabalho mais representativo, trazendo “ecos de amor envolvidos em Luar” – “…Que lindo brilho tem o luar, que lindos olhos tens para amar…” “Os teus olhos moreninhos, que eu gosto de admirar, enchem os meus de carinhos, quando te vejo ao luar.” As raízes musicais do Grupo Coral e Instrumental da Casa do Povo de Caparrosa remontam há algumas gerações, estando a sua orientação musical influenciada por “anteriores tunas existentes e que animavam as festas e danças da freguesia e localidades limítrofes”. Por esse motivo, toda a sua sonoridade musical se baseia em instrumentos de cordas então utilizados.
Ao longo dos seus anos de existência, este grupo tem privilegiado a música tradicional com base em recolha de temas antigos, mantendo-se fiel à música etnográfica, e tem-se constituído como “bandeira” da região a que pertence, com inúmeras e valiosas actuações no país e no estrangeiro.
Textos de: Pedro Luís S. Pereira & José Manuel Carmo da Silva

Batem leve, levemente

    Hoje, vinte de Janeiro de 2009, a Serra do Caramulo acordou, mais uma vez, coberta por um manto branco. As previsões do instituto de meteorologia de Portugal, confirmaram-se: “Queda de neve nos locais acima dos 500 metros, subindo a cota para os 800 a 1000 metros, durante a manhã”. Sem entrar em grandes explicações técnicas, podemos dizer que a neve é um fenómeno meteorológico que consiste na queda leve, moderada ou forte de cristais de gelo. O sítio da protecção civil (http://www.proteccaocivil.pt/), apresenta uma explicação mais detalhada: “ a queda de neve ocorre quando os cristais de gelo não se fundem antes de chegarem ao solo, em virtude da baixa temperatura da atmosfera. Quando a queda de neve se prolonga por um período de tempo relativamente longo e abrange uma área relativamente extensa estamos em presença de um nevão. Os nevões podem ter um forte impacto nos seres humanos, animais e plantas”.
    Não transitam automóveis, a estrada está muito perigosa. Existe sempre um outro incauto que gosta de desafiar o perigo, aventurando-se na estrada do Caramulo ao Caramulinho. A GNR faz patrulhamento, procurando evitar situações de viaturas atascadas.
    Várias são as pessoas das povoações mais serranas que não conseguem tirar os automóveis das garagens, vendo-se impossibilitadas de irem para os seus empregos.
    É inegável que o actual Inverno e o último Outono caracterizaram-se por um número elevado de ocorrências de queda de neve, contrariamente ao que tem acontecido em anos anteriores. Será um sintoma de anomalia climática, consequência do aquecimento global, ou apenas um fenómeno cíclico? A resposta carece de investigação científica, contudo, em três décadas de existência, não me recordo de algo semelhante. Vou continuar a estar atento às previsões meteorológicas e às vontades do São Pedro!
    Diversas são as descrições e poemas de cenários de neve, mas a Balada de neve de Augusto Gil, que várias vezes ouvi na infância, declamada de memória pelo meu pai, é sem dúvida um dos poemas que eu mais gosto de recordar nestes momentos. Não resisto em escrever, aqui, os primeiros versos:
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
P.L.S.P.
Jornal de Tondela, Edição N.º 927 - 20/01/2009

A Rota do Mestre Garino

Mestre Garino
D. Afonso Henriques em 1131, concedeu carta de doação da vila de São João do Monte, a Mestre Garino, frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra.
“Que a vila de São João do Monte vem de há mais de 900, talvez mais de mil anos, comprova o, entre outros documentos, a doação feita por D. Afonso Henriques, em 1131, quando ainda príncipe, a mestre Garino, frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra, e que se encontra nos documentos da Chancelaria de D. Afonso Henriques…” César, J. & Figueiredo M. (1949).

A Rota
No Domingo de manhã, um grupo de amigos, procurando descobrir um pouco mais sobre Mestre Garino, realizou uma caminhada até ao local onde existem vestígios da sua habitação. A saída do largo da feira, junto aos bombeiros, aconteceu por volta das 9h00. Durante o percurso observaram-se inúmeros aspectos de ordem humana e natural (flora, fauna, vistas panorâmicas, alminhas, rochedos …). A carta militar 1/25 000, número 187, foi uma preciosa fonte de informação. Tratou-se de um itinerário circular com cerca de 7km por caminhos e carreiros de montanha. Carlos Pereira, Nuno Monteiro, António Mota, Arménio Lomba, José Gonçalves, Pedro Pereira, Miguel Silva, Paulo Fernandes, Miguel Gomes e Márcio Silva, constituíram a lista dos participantes nesta caminhada.
Ouvimos falar desde a infância que mestre Garino terá vivido nesta zona, mais precisamente num lugar isolado e alcantilado, conhecido por Esturrenheira. Trata-se sem dúvida, de um espaço com características especiais, para quem quisesse levar uma vida de ermitão e dedicada ao culto divino. Alguns dos participantes já estiveram no local, no entanto, tiveram dificuldade na localização exacta das ruínas, devido a um denso e impenetrável matagal.

«Carta de Doação a Mestre Garino da Vila de S.joão (do Monte)»
«Em nome da Santa e individua Trindade, Padre, Filho e Espirito Santo, Trindade inseparável que nunca terá fim por todos os séculos dos séculos.
Eu, Afonso. egrégio infante, filho do Conde D. Henrique e da Rainha Teresa, e neto do gloriosissimo imperador das Espanhas por graça de Deus principe de todo o Condado Portucalense, com toda a paz e tranquilidade do meu espírito, e de livre e boa vontide, e em testemunho de benevolência para convosco, Mestre Garino, e vossos Irmãos (monacais), faço Carta (de doação) da vila de S. João (do Monte) com todos os seus termos como divide com Paranho e com Covelo e com Macieira e Besteiros, por onde corre o Rio Águeda. Isto faço de minha própria vontade pela minha alma e da de meu pai e de minha mãe para nossa eterna salvação.
E desde hoje para todo sempre seja (a vila de S. João) alienada do meu direito e em vosso domínio entregue e confirmado perpetuamente.
Feita esta Carta em 18 de Julho de 1131. Eu, Afonso, supra nominado, roboro esta Carta por minha própria mão. Ermigo Moniz-testifico. Hero de Bridi-testifico. Gonçalo Rodrigo-testifico. Serrasino de Espini-testifico. Nuno Soares-testifico. Fernando Cativo-testifico. Pedro notário a escrevi.»
Torre do Tombo- Col.esp. Parte II, Caixa 35, maço 3 (Cartório de S. Cruz). Extraído de: César, J. & Figueiredo M. (1949)- O Couto de Alcofra e São João do Monte. Tradução de Padre João Domingues de Arede.
Balanço
Esta caminhada permitiu aos participantes descobrir um pouco mais da história e do espaço da sua terra. Possibilitou também, bons momentos de convívio. Esperamos que este registo, constitua uma orientação na elaboração de um percurso pedestre, a começar pelo título. Está agendado para o próximo fim-de-semana outra caminhada, podendo aparecer todos aqueles que gostem deste tipo de actividades.

Pedro Pereira
plsp@sapo.pt
Publicado no Jornal de Tondela na Edição N.º 925 - 08/01/2009

Geologia, Paisagem e Património da Freguesia de S. João do Monte

“Geologia, Paisagem e Património da Freguesia de S. João do Monte (Serra do Caramulo)” foi uma acção do Programa Ciência Viva no Verão 2008, realizada no dia 30 de Julho. Tratou-se de uma iniciativa da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, dinamizada pelo Departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes, com os apoios da Junta de Freguesia e da Associação Desportiva Cultural e Recreativa de São João do Monte. Em http://www.cienciaviva.pt, podia-se realizar a inscrição, bem como a consulta de informações gerais sobre a acção.
Concentração na Vila de São João do Monte junto ao PelourinhoPela manhã os dezoito participantes encontraram-se junto ao pelourinho, onde foi feita uma apresentação individual e distribuído o roteiro. São João do Monte foi Vila e sede de concelho até 1855. Nesse ano, com a reforma de Frederico Guilherme da Silva Pereira e Rodrigo da Fonseca Magalhães o concelho foi extinto, passando para Tondela todas as suas freguesias, excepto as de Alcofra, Arca e Varzielas. Em 1997 recuperou o seu título de Vila. Pelo meio da localidade, passa o rio Águeda, onde existe uma praia fluvial com beleza impar a fazer jus ao seu próprio nome: Praia fluvial Paraíso. O Jornal do Centro, na ed. 283, 17 de Agosto de 2007, na notícia “Distrito com duas praias fluviais classificadas” refere o seguinte: “… das 16 praias fluviais existentes no distrito, apenas a praia de Folgosa, em Castro Daire, e a praia fluvial de São João do Monte, em Tondela, reúnem as normas de segurança e de qualidade. A lista foi elaborada pelo Instituto da Água (INAG), em conjunto com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR), …”.
Formas graníticas junto a Almofala
Neste local, foi realizada uma observação de blocos graníticos que se assemelham a figuras geométricas, zoomórficas... Os granitos, gerados a grandes profundidades, encontram-se à superfície sob condições de temperatura e pressão muito diferentes daquelas a que foram originados, o que torna os seus minerais constituintes instáveis. A meteorização destas rochas está condicionada pelas características intrínsecas à própria rocha (composição mineralógica, textura e porosidade), pelas descontinuidades da rocha (falhas e diáclases) e pelo clima, o que origina formas dispares, assemelhando-se a figuras de humanos, animais, geométricas, dependendo do ângulo de que são vistas.
Caramulinho
O Caramulinho” é um excelente miradouro e constitui o ponto com maior altitude da Serra (1074m de altitude). Apresenta uma área aplanada junto à base e o seu pico descarnado deve-se à erosão. É uma zona de fronteira entre as freguesias do Guardão e de São João do Monte. Estes relevos de dureza resultaram de relações entre tipo de rocha, tectónica e erosão.
Cabeço das Buracas (junto à povoação do Teixo)O Cabeço das Buracas localiza-se num terreno designado de Soudes, nas proximidades da povoação de Teixo. O seu aspecto exterior assemelha-se com uma cabeça de uma ave de rapina. Trata-se de um bloco granítico furado no interior com reentrâncias que parecem esculpidas pelo homem, no entanto, trata-se de mais uma obra da mãe natureza… A entrada não é de fácil acesso. No seu interior deslumbramos um espectáculo de alvéolos de diferentes dimensões e profundidades irregulares. A sua delimitação faz lembrar um emaranhado de cordas grossas que aleatoriamente se cruzam. Estas cavidades alveolares, denominadas de “tafoni” (no singular diz-se tafone) são possivelmente originadas pela acção conjunta da meteorização física provocada pela cristalização de sais ou, associadas ao gelo e degelo da água e pela acção do vento.
Queda de água da “Penha da Firma” - rio Águeda
Alguns autores referem que a atracção e o apelo que os seres humanos sentem pelas quedas de água reveste-se de um carácter estético, e até mesmo espiritual.
O rio Águeda nasce na Serra do Caramulo e muito se “entusiasma” a levar águas frescas ao Vouga, depois de receber águas do Alfusqueiro, junto a Bolfiar. Os cursos de água nesta região apresentam um encaixe nítido, correndo muitas vezes em vales apertados. Estes vales coincidem com o contacto entre granito e xisto, podendo o seu curso estar condicionado por falhas. Nas zonas de falha, o granito está “esmagado” e por isso a sua alteração química é mais pronunciada e as rochas são facilmente erodidas. Por outro lado, como o xisto é mais facilmente erodido que o granito, criam-se relevos por erosão diferencial.
“Poços fluviais da Pena Branca e Mertangil” - ribeira do Souto
Toda a freguesia é recortada por muitos cursos de água, associados a uma intensa fracturação da zona e a uma forte escorrência facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes. Os dois cursos de água mais importantes da freguesia de São João do Monte são o rio Águeda e a ribeira das Dornas ou ribeira do Souto (designações presentes na carta militar nº 187, 1/25 000). Os participantes tiveram oportunidade de desfrutar da beleza ímpar destes ambientes fluviais e alguns deles aproveitaram para tomarem um banho refrescante.

BalançoA acção terminou na mata de São João no final do dia, com um pequeno lanche. Os responsáveis pela acção, Pedro Pereira, Nelson Pereira e João Carlos Baptista, em conjunto com os restantes participantes fizeram um balanço muito positivo sobre a forma como decorreram os trabalhos, perspectivando-se para o próximo ano uma nova acção deste género. Luís Henriques Pereira, presidente da Junta de Freguesia, participou na acção e referiu que se tratou de uma actividade importante na divulgação do património natural da freguesia, constituindo mais uma forma de promoção do desenvolvimento.
P.L.S.P.
plsp@sapo.pt
Publicado no Jornal de Tondela na Edição N.º 903 - 07/08/2008

Floresta e Incêndios

Quando li a edição do Jornal de Tondela de 20 de Junho de 2003, chamou-me à atenção o seguinte artigo: “Floresta e o papel dos jovens na sua preservação”. O artigo relatava um debate realizado num dos auditórios do Novo Ciclo sob a responsabilidade da Lusitânia- Agência de Desenvolvimento Regional Dão Lafões. Um dos objectivos deste debate era “incutir nos jovens, nomeadamente do 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e do Secundário o papel de que estes podem desempenhar na sua preservação”. Foram abordados vários temas: O eucalipto e os incêndios florestais; A capacidade regenerativa do Pinheiro Bravo ...
Achei interessante o que li, no entanto poderia ser ainda mais interessante abordar estes temas a nível local (Concelho de Tondela), nomeadamente a relação entre as características da floresta e os incêndios. Conhecendo um pouco melhor as características florestais do Concelho de Tondela, os nosso jovens estariam mais sensibilizados para a sua preservação. No âmbito deste tema: Incêndios e floresta, podemos tecer algumas considerações a nível concelhio.
Por incêndios florestais entendemos todos aqueles que ocorrem em áreas em que o combustível é sobretudo a vegetação, na realidade são as características dos combustiveis que vão ditar o comportamento do fogo. O concelho de Tondela apresenta na sua maioria povoamentos de pinheiro bravo (Pinus pinaster ) e eucalipto (Eucaliptos globulus). O pinheiro bravo é uma resinosa que foi semeada com enorme profusão, tendo ampliado a sua área depois da política de arborização do «Estado Novo», as montanhas de Portugal transformaram-se então num imenso pinhal, não natural dessas Zonas que tinham sido ocupadas por carvalhais cauducifólios.  O pinheiro bravo é pois a resinosa mais frequente no nosso país; como a palavra resinosa indica, esta árvore tem na sua composição química substâncias altamente inflamáveis o que as torna susceptíveis ao fogo. É frequente os incêndios nos pinhais desenvolverem-se sobretudo junto ao solo, queimando a caruma e o mato, podendo afectar em maior ou menor grau as árvores.
Quanto ao eucalipto é uma espécie que a partir da década de 70 começa a sobressair-se cada vez mais e difundir-se rapidamente. Esta difusão atribui-se por um lado, aos incêndios florestais, pois é uma espécie que após um ou mais incêndios na mesma área, cresce rapidamente (muitas vezes depois do corte, rebenta pela cepa). O eucalipto cresce pois com rapidez comparativamente ao pinheiro, o que explica que este último venha a ser substituído pelo primeiro, satisfazendo mais rapidamente as indústrias de pasta de papel e de celulose. Na sua composição química existem substâncias voláteis altamente inflamáveis, que libertam uma grande quantidade de energia ao arder.
Embora nos eucaliptais a vegetação arbustiva não seja geralmente abundante, é fácil um incêndio neste tipo de árvores passar para as copas e propagar-se entre elas, com os riscos próprios deste tipo de incêndios. De acordo com o inventário da D.G.F. (Direcção Geral das Florestas), em 1974 o concelho de Tondela apresentava em termos totais de ocupação de pinheiro e eucalipto, respectivamente 94% e 6% Estes valores são hoje um pouco diferentes, salientando-se o aumento da ocupação de eucalipto, mas mantendo-se ainda uma maior ocupação de pinheiro bravo em relação ao eucalipto
O concelho de Tondela apresenta em termos gerais três situações bem distintas; por um lado a parte do “planalto beirão” e a vertente oriental da Serra do Caramulo com o predomínio do pinheiro bravo, onde se verifica um sub-bosque caracterizado por urzes, carquejas, fetos e medronheiro; além destas espécies cresce também o eucalipto e mais raramente os sobreiros, castanheiros e carvalhos; o predomínio do pinheiro bravo torna-se cada vez mais escasso “à medida que se sobe”, pois as condições do clima e solo opõem-se à sua presença. A segunda situação são os “cimos da Serra” às quais corresponde sobretudo áreas incultas com predomínio de matos. Estes “cimos da Serra” são pois ermos e o granito aflora em grandes extensões e a existência de árvores é escassa, dominando a urze, a queiró, o tojo, a carqueja, assim como as giestas.
A terceira situação diz respeito à vertente ocidental da Serra do Caramulo, onde nas altitudes inferiores a 600 metros, deixamos de ter pinheiro bravo e começa aparecer o eucalipto em mancha continua, prolongando-se até às proximidades de Águeda.
Ficando a saber um pouco mais das características da nossa riqueza florestal, poderemos ter todos um papel mais consciente na sua preservação contra os vários riscos a que está sujeita, sobretudo o risco de incêndio.

Pedro Luís .S.Pereira
Publicado em Jornal de Tondela. nº 637- 3 de Julho de 2003.

Mel de Valdasna

Nas proximidades da povoação de Valdasna, freguesia de S. João do Monte, desenvolve-se uma importante produção de mel. Os Gregos e Romanos chamavam-lhe de «ambrósia» e era considerado um «alimento digno dos Deuses». Muito antes de ter sido introduzida a apicultura, o homem da Idade da Pedra aprendera a apreciar o mel das abelhas selvagens, e na antiguidade, os Egípcios, Persas e Chineses conheciam-lhe o valor…










Legenda: 1- Cortiços no local de Açor; 2- Barracão de apoio à apicultura no Batoco; 3- Travessia do Rio Águeda para se atingir as colmeias; 4- Colmeias móveis.
A produção de mel nesta área e em toda a região da Serra do Caramulo prima pela excelente qualidade resultante de uma flora diversificada e livre de poluição. A juntar a isto não podemos esquecer a conjugação de outras características naturais (climáticas, geomorfológicas...) que directa ou indirectamente contribuem para o apuramento de um produto com um sabor ainda mais peculiar.
O Sr. Arménio Lomba, residente em Valdasna, é um dos principais apicultores da Serra do Caramulo. Tem participado em várias feiras e certames. Não deixou de estar presente na última FICTON, onde obteve um elevado número de vendas.
A experiência acumulada ao longo de cerca de onze anos permite-lhe obter um produto de admirável sabor. O segredo deve-se não só à mãe natureza, mas também à preocupação de utilização de métodos que não alterem as verdadeiras propriedades do mel. Não só os habitantes locais procuram adquirir este delicioso produto, mas também pessoas de outros locais mais longínquos (Região da Bairrada, Lisboa, Mortágua...). Quem estiver interessado em obter este genuíno mel pode contactar o Sr. Arménio através do número 93 3806416.
Este jovem apicultor esclareceu que existem diversas qualidades de mel, distinguindo-se primordialmente, pela época de produção, flora de onde o néctar é extraído e tratamento tecnológico a que é sujeito: o mel de Primavera, o melhor, e o de Outono o pior; as proveniências do néctar podem ser diversas, como o rosmaninho, a laranjeira, o eucalipto, a urze, etc. Esclareceu também que apenas e somente vende mel de Primavera para não defraudar as expectativas dos seus clientes.
Segundo informações recolhidas no local, o mel é produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores ou das exsudações naturais doces colhidas nos caules e folhas de certas árvores, e é principalmente constituído por uma mistura de água e de açúcares simples, a frutose e a glucose. Quanto mais limpo for o mel, maior será a proporção de frutose. O mel acaba por endurecer se for conservado durante muito tempo, bastando no entanto colocar os frascos ao Sol para que fique novamente líquido.
O Sr. Arménio Lomba é um defensor das inquestionáveis propriedades medicinais do mel e fez questão de enumerar alguns dos seus benefícios:
- consumido com moderação, constitui um alimento saudável, sendo inclusivamente, recomendado para determinadas doenças cardíacas;
- o mel fornece quantidades insignificantes de nutrientes, mas mesmo esse teor mínimo faz dele uma opção ligeiramente mais saudável do que o açúcar branco refinado, que contém apenas calorias «vazias»;
- o mel conserva ainda a sua reputação como remédio para tratar problemas respiratórios, particularmente quando há expectoração;
- também é famoso pelas suas propriedades anti-sépticas- os Gregos e Romanos diziam-no capaz de curar feridas;
- tal como o açúcar o mel tem um ligeiro efeito sedativo;
- prepare uma bebida para as dores de garganta adicionando duas colheres de chá de mel e o sumo de metade de um limão. O liquido adoçado estimula a produção de saliva, que acalma a secura e irritação da garganta.;
- também este estimula o cérebro a produzir endorfinas, os analgésicos naturais do organismo.
- a tradição e a lenda conferem ao mel qualidades únicas desde afrodisíaco a elixir da juventude.
Há quem diga que o preço do mel é elevado, no entanto se tivermos em conta os seus benefícios, os cuidados a ter na sua produção e se soubermos que para produzir 0,5 l de mel, as abelhas têm que recolher o néctar de cerca de 1,5 milhões de flores, obviamente que a opinião será outra.
“Comer mel é sinónimo de uma vida mais saudável”.
Pedro Pereira
Publicado no Jornal de Tondela- nº702- 30 de Setembro de 2004

Laranjas da Serra do Caramulo- Um breve apontamento

A leitura da reportagem "Caramulo – Uma aposta séria nas potencialidades naturais da Serra", publicada na edição nº 761 deste jornal(Jornal de Tobdela) suscitou a realização deste apontamento. Segundo informação da notícia publicada, está em marcha um Plano de Acção de Desenvolvimento Rural que visa potenciar um conjunto de produtos endógenos…O projecto é promovido pela Associação de Desenvolvimento da Região de Tondela (ADERETON).
"Catarina Chaves começou por dizer ao nosso jornal que os produtos que fazem parte do programa desta acção de desenvolvimento, como o mel, o linho e a laranja de Besteiros resulta de um estudo efectuado no território de cerca de 13 freguesias do concelho de Tondela, ou seja aquelas que estão mais orientadas para Serra do Caramulo". Podem-se acrescentar mais algumas considerações importantes a este estudo. Todos nós conhecemos a inquestionável qualidade das laranjas de Besteiros. Contudo, a existência de laranjas de qualidade no concelho, não se restringe apenas à Terra de Besteiros…
Em plena Serra do Caramulo encontramos lugares com grandes potencialidades na produção destes citrinos. Quatro lugares pertencentes à freguesia de S. João do Monte (Almijofa, Quinta de Menderes, Mançores e Metadegas), apresentam a particularidade de produzirem deliciosas laranjas, ainda que localizados em plena Serra, onde não seria de esperara existência deste produto com grande qualidade.
As laranjas mais famosas são as da Quinta de Menderes e de Almijofa. Tal facto deve-se a condições naturais muito específicas, nomeadamente no que diz respeito aos aspectos climáticos.
O clima de toda área serrana é condicionado por factores gerais e factores locais. A situação geográfica em altitude e a circulação geral são determinantes em relação aos factores locais de disposição das vertentes, altitude, proximidade do mar, rumo dos ventos dominantes, etc. Embora estes factores se façam sentir e contribuam para a criação de características climáticas diferenciadas, é de salientar as situações particulares de abrigo em relação aos ventos marítimos em que se localiza o lugar de Almijofa cuja vertente se encontra, por um lado a altitude reduzida e protegida dos ventos marítimos por um obstáculo interposto, e por outro suficientemente exposta para sofrer um grau de insolação significativo. Estas características climáticas especiais, resultantes da própria topografia do terreno dão origem a um microclima, possibilitando a cultura de várias espécies agrícolas, nomeadamente as laranjeiras.
Árvores de folhagem persistente, pertencentes à família das Rutáceas, as laranjeiras, são originárias da China e foram introduzidas na Europa pelos árabes, o que não deixa de ser curioso pelo facto da palavra Almijofa ser de origem árabe…Amadeu Ferraz de Carvalho no seu livro, a Terra de Besteiros e o Actual Concelho de Tondela, a respeito de Almijofa, escreveu o seguinte: "Almijofa, também conhecida por Almejofa, segundo informação do Sr. Dr. J.P. Machado, poderá ter a sua origem em al-mejõf, ou melhor, em al mijõfa, feminino da primeira e nesse caso significaria ôca, vazia, deserta (sc. Aldeia). Nas adições aos vestígios da língua arábica de Fr. João de Sousa Moura dá-lhe por empréstimo dá-lhe por étimo almojanafa, a cousa côncova ou encovada", qualificativo referente à situação topográfica do lugar em sítio côvo, deprimido e fundo, o que realmente se verifica. (Cf. Dr. J. Da Silveira – Almojoafas, Ver. Lusitana, vol.38º, pag 270)".
A aldeia de Almijofa, apresenta no momento um quase deserto de habitantes. Com grande tristeza nossa, verifica-se que os terrenos de cultivo e muitas árvores de fruto encontram-se ao abandono por falta de mão obra. Em certos locais os eucaliptos já tomaram conta de muitas das terras cultiváveis, crescendo ao lado das laranjeiras. Para contrariar este cenário, o anunciado Plano de Acção de Desenvolvimento Rural do Caramulo, poderia incrementar nestes espaços uma acção preponderante, desenvolvendo planos que potenciassem este produto nesta zona serrana. Independentemente das linhas de actuação, esperamos que o resultado final seja o mais profícuo possível para ao desenvolvimento das freguesias que são alvo deste Plano de Acção.
Pedro L. P.
Plsp@sapo.pt
Publicado no "Jornal de Tondela" (data: ?)

A Feira de São João do Monte

A necessidade de troca de produtos pode explicar o aparecimento das feiras. A feira de S. João poderá estar relacionada com o próprio isolamento desta terra em tempos primórdios. À feira de São João do Monte eram atraídos um grande número de população que iam vender gado ou comprar tecidos para roupas, assim como sementes para os campos e uma outra alfaia que o ferreiro não conseguia fabricar.

Sardinhas
A sardinha vendida na feira em outros tempos, era trazida a pé por sardinheiras que vinham do lado da terra de Besteiros. Era transportada em cestas e gamelas acondicionada em muito sal. O trajecto para cá chegar não devia ser “pêra doce”, daí muitas vezes ter de parar-se para retomar forças, em determinados locais do trajecto. Eram os chamados pousos, como os da Mata da Galinha no alto do Caramulo. Muitas pessoas traziam ovos que os vendiam a feirantes e com esse dinheiro compravam a sardinha. Facto curioso era a sardinha apresentar um aspecto sempre fresco. Até que um dia foi desvendado o mistério. A dada altura, dois homens naturais de São João do Monte foram buscar vinho com dois burros à terra de Besteiros acondicionado em odres de pele de cabra. Ao passaram na ponte sobre o rio Criz, viram as sardinheiras a lavar a sardinha no rio, para esta apresentar um aspecto sempre fresco…

Criação
Esta feira foi criada por deliberação da Junta em 4 de Março de 1888 e realizava-se no terceiro Domingo de cada mês. De 1888 até 1927 esta feira, tinha características um pouco diferentes de quase todas as outras. Realizava-se da parte da tarde e numa altura em que todas as outras feiras estavam proibidas de funcionar ao Domingo, por imposição da igreja, esta realizava-se sem qualquer impedimento das autoridades, visto que para esse efeito tinha uma autorização especial.
O Sr. Elísio do Carmo, relatou um pormenor interessante: “Um dos primeiros feirantes foi um tal de Sr. José Vilharigues, que provavelmente seria originário da povoação de Vilharigues. Quem me contou foi o Sr Bernardo Henriques da Costa, que viveu entre 1884 e 1961”.

Dezanove
Em 1927, a data da sua realização foi mudada para os dias dezanove, devido a uma decisão da Junta de Freguesia tomada em 26 de Junho desse ano. Nessa altura, o recinto animava-se a partir das treze horas, altura em que as gentes começavam a afluir depois de fazerem algumas tarefas de manhã, muitas delas relacionadas com a lida do campo.

Acta da mudança da Feira em 26 de Junho de 1927
Aos vinte e seis dias do mez de Junho de mil novecentos e vinte e sete, n'esta freguesia de S. João do Monte e sala das sessões da comissão administrativa civil, estando reunidos os membros, Senhores João Martins de Almeida Presidente e os vogaes José Luiz da Paz e Manoel Fernandes Firme pelo presidente foi em nome da lei aberta a sessão. Pelo presidente foi proposto que se torna de grande utilidade para a freguesia a mudansa do dia do mercado que se efetua neste lugar de S. João do Monte, nos domingos treceiros de cada mez para o dia desenove também de cada mez. Depois de varias opiniões concordou toda a comissão que fosse o dia desenove de cada mez, e que se tirasse copia desta acta, e que fosse enviada a Exª comissão admenistrativa de Tondela a fim de ser aprovada a mudansa de dia do referido mercado de domingo treceiro para o dia desenove. Não havendo nada mais a tractar foi encerrada a sessão em nome da lei enserrando-se digo lavrandro-se esta acta que vai ser assinada por todos depois de lida por mim Antonio Emílio d'Almeida secretario que a escrevi e assino.
O presidente João Martins de Almeida
Vogal José Luiz da paz
Vogal Manoel Femandes Firme
secretario Antonio Emilio d'Almeida
Extraído de: Pereira. J.V.(1988), p.569

A data de dezanove não era inocente. A feira realizava-se nesta data para que os comerciantes de gado tivessem tempo para levarem os animais comprados a uma outra feira que se realizava para a zona de Coimbra no dia vinte e três de cada mês, chamava-se a “Feira dos vinte e três”. Os comerciantes compravam gado na feira de São João, com a condição de os vendedores levarem os animais à povoação de Almofala. Depois do gado todo reunido nesta aldeia, era levado para a Feira dos Vinte e três. Nesta famosa feira, apareciam os grandes comerciantes de gado que transportavam os animais comprados de comboio para Lisboa, Porto … O gado para fazer a viagem de Almofala até Coimbra tinha que estar preparado, as suas patas teriam que ter calo suficiente para aguentarem a caminhada.
A realização da feira de São João nesta data (dezanove), manteve-se até 1992. Neste ano, voltou a ser mudada novamente para o terceiro Domingo de cada mês, talvez porque começou a entrar um pouco em declínio, fruto de alterações das ocupações profissionais das populações.

Pedro Pereira
Plsp@sapo.
Publicado em "Jornal de Tondela" - nº 775- 23 de Fevereiro de 2006