Espetáculo teatral de rua
«...um monstro fabuloso adormecido». Amorim Girão; «a mais linda serra de Portugal». José Júlio César; «a mais pitoresca talvez...». Guia de Portugal; «... é região cheia de encantos». João Arede (Abade de Cucujães).
About Me
- PedroPereira-psilvaluis@gmail.com
- Este blog, amador, foi criado com o intuito de divulgar atividades e acontecimentos relevantes da Serra do Caramulo, bem como o seu património! Fornece, também, informações importantes para quem pretende visitar e conhecer a região! "Viaje" pela Serra (des)conhecida, explorando os seus conteúdos!
"O último adeus"
Sinopse
"Baseado numa história verídica, vivida entre os distritos de Viseu e
Aveiro. Passamos por localidades como Tondela, Caramulo, Sernancelhe,
Moimenta da Beira e Águeda. Três gerações de primogénitas vivem grandes
histórias de amores inesquecíveis.Dionora vive pobremente mas feliz
com António. Até ao dia em que descobrem a doença fatal vivida nos anos
cinquenta, a tuberculose (...)" Extraído de: http://www.wook.pt/ficha/o-ultimo-adeus/a/id/15653203
Incêndios na Serra do Caramulo- verão 2013
| Local onde faleceu Ana Rita Pereira ( 22/08/13). |
À memória de:
Ana Rita Pereira, 24 anos, corporação de Alcabideche.
Bernardo Figueiredo, 23 anos, corporação do Estoril.
Cátia Pereira Dias, 21 anos, corporação de Carregal do Sal.
Bernardo Cardoso, 18 anos, corporação de Carregal do Sal.
Ana Rita Pereira, 24 anos, corporação de Alcabideche.
Bernardo Figueiredo, 23 anos, corporação do Estoril.
Cátia Pereira Dias, 21 anos, corporação de Carregal do Sal.
Bernardo Cardoso, 18 anos, corporação de Carregal do Sal.
Os incêndios deste verão transformaram a Serra do Caramulo numa gigantesca fogueira, para desespero de muitas pessoas que sofreram a perda dos seus bens materiais e, pior do que isso, a perda de vidas humanas, o que é dolorosamente trágico. Por enquanto, o negro domina a paisagem... Existem lugares que resistiram às chamas, constituindo oásis no meio de uma imensa área ardida...
Vamos postar diversos documentos ( fotografias,
notícias...) relacionados com os
incêndios que ocorreram na Serra do Caramulo no verão de 2013. É nosso objetivo
constituir um arquivo, de forma a alertar e a sensibilizar o público em geral
para a preservação da floresta.
Agradecemos, caso
assim o entenda, que nos envie as suas fotografias e outros documentos que
considere serem pertinentes no âmbito desta temática. O autor será devidamente
identificado. Obrigado!
![]() | ||
Área ardida junto à vila do Caramulo. Elaborado a partir do Google earth. |
Consequências
A
área onde decorreu o incêndio (28/08/13…) apresenta declives elevados, assim, a
destruição da vegetação vai alterar o regime hidrológico uma vez que, dada a
natureza granítica dos solos, o escoamento superficial vai ocorrer em
detrimento da infiltração, tão necessária para alimentar os lençóis freáticos
bem como para regularizar o regime hídrico.
Fonte:IPMA
O
escoamento superficial, por sua vez, aumentará o caudal de rios e ribeiras
originando um grande transporte de materiais das zonas mais elevadas para as
zonas de menor altitude – erosão hídrica, podendo provocar assoreamento no
leito dos rios e aumentar o risco de inundação. A intensidade deste fenómeno é
diretamente proporcional à quantidade de precipitação ocorrida… O dia vinte e
quatro de dezembro de 2013 foi um “bom” exemplo.
Rota dos Caleiros - 13/07/13 - Sábado
No próximo dia 13 de Julho (Sábado) realizar-se-á a Rota dos
Caleiros, com início marcado às 18H00, no largo do Caramulinho (Caramulo).
Inauguração do CEISCaramulo
No dia 20 de abril foi inaugurado o Centro de Estudos e Interpretação da
Serra do Caramulo (CEISCaramulo).
"Em fevereiro de 2011, o antigo Agrupamento de Escolas do Caramulo (agora integrado no Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro) foi convidado pela Fundação Montepio, conjuntamente com outras 50 escolas a nível nacional, a concorrer ao referido prémio. Foi então apresentado a concurso o "Conhecer o que é nosso, para preservar e valorizar", que veio a ser distinguido com o prémio escolar Montepio 2011, entregue a 15 de novembro, em cerimónia pública no auditório da Fundação Montepio, pelo Sr. Ministro da Educação.
O projeto previa, entre outras iniciativas, a criação de um Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo (CEISCaramulo). Esta iniciativa assume um papel central no projeto, uma vez que estabelece e consolida a relação com a comunidade local e perpetuará no tempo o próprio projeto.
O CEISCaramulo que ficará sediado na vila do Caramulo, no edifício do Turismo, terá como missão promover o estudo e a investigação nos vários domínios e interesses, designadamente ambiental, geográfico, biológico, geológico, histórico, etnográfico, gastronómico, etc., da Serra do Caramulo, sem perder de vista o interesse económico e de promoção da região onde se enquadra, potenciando e promovendo o empreendedorismo local. Poderá constituir-se como uma mais-valia para o desenvolvimento sustentável desta região serrana, uma vez que é fundamental conhecermos o que temos e o que nos distingue dos demais para podermos projetar o futuro, valorizando o que é nosso". Extraído de: http://cfaeplanaltobeirao.webege.com/Documentos/inforceis.pdf
"Em fevereiro de 2011, o antigo Agrupamento de Escolas do Caramulo (agora integrado no Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro) foi convidado pela Fundação Montepio, conjuntamente com outras 50 escolas a nível nacional, a concorrer ao referido prémio. Foi então apresentado a concurso o "Conhecer o que é nosso, para preservar e valorizar", que veio a ser distinguido com o prémio escolar Montepio 2011, entregue a 15 de novembro, em cerimónia pública no auditório da Fundação Montepio, pelo Sr. Ministro da Educação.
O projeto previa, entre outras iniciativas, a criação de um Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo (CEISCaramulo). Esta iniciativa assume um papel central no projeto, uma vez que estabelece e consolida a relação com a comunidade local e perpetuará no tempo o próprio projeto.
O CEISCaramulo que ficará sediado na vila do Caramulo, no edifício do Turismo, terá como missão promover o estudo e a investigação nos vários domínios e interesses, designadamente ambiental, geográfico, biológico, geológico, histórico, etnográfico, gastronómico, etc., da Serra do Caramulo, sem perder de vista o interesse económico e de promoção da região onde se enquadra, potenciando e promovendo o empreendedorismo local. Poderá constituir-se como uma mais-valia para o desenvolvimento sustentável desta região serrana, uma vez que é fundamental conhecermos o que temos e o que nos distingue dos demais para podermos projetar o futuro, valorizando o que é nosso". Extraído de: http://cfaeplanaltobeirao.webege.com/Documentos/inforceis.pdf
VII Capítulo da Confraria Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo
"(...) há mais de 900 anos
nasceu
a vila de São João do Monte, tal como referiu José Julio
Cesar, figura ilustre e natural desta
localidade que viveu entre os seculos XIX e XX.
De facto, um dos
registos mais antigos que faz referência a esta vila, remonta ao sec. XII,
mais precisamente a 1131. Este registo
diz respeito à Carta de doação a Mestre Garino da vila de São João do Monte. E desde
já, podem levantar-se duas questões. Quem fez a doação? Quem foi mestre garino?
A
doação foi feita pelo primeiro rei de Portugal. Nesse ano, Dom Afonso Henriques, doa a vila de São João do Monte com todos os
seus termos a Mestre Garino, em
recompensa dos serviços prestados. Apesar de não se encontrarem registos com
descrições detalhadas da figura de mestre Garino, sabe-se que era frade do Convento
de Santa Cruz de Coimbra e que devia ser figura importante desse mesmo convento.
(...)"
Ciência Viva em São João do Monte - 04-08-2012
Org.: Quercus - Núcleo de Vila Real e Viseu
Data: 04-08-2012
Hora de Início: 10:00
Ponto de encontro: Pelourinho de S. João do Monte e Casa da Câmara
Nota: Levar roupa e calçado apropriados, chapéu, água, merenda, fato de banho e toalha
Nota: Levar roupa e calçado apropriados, chapéu, água, merenda, fato de banho e toalha
Inscrições em: http://www.cienciaviva.pt/
PRAIA FLUVIAL PARAÍSO e POÇO LAGAR
• “ (…) Município de Tondela, candidatou 2 praias do concelho às “7 Maravilhas – Praias de Portugal”. Este concurso está dividido por categorias, sendo que a aposta foi projetar a Praia de S. João do Monte enquanto Praia de Rio, pois uma das condições obrigatórias para a nomeação é a classificação oficial de área balnear, e simultaneamente candidatar Mançores a Praia Selvagem”. Extraído de: http://www.cm-tondela.pt
• “As “7 Maravilhas – Praias de Portugal®” pretendem promover a qualidade ambiental de Portugal, nomeadamente dos nossos recursos hídricos e a beleza da nossa costa e dos nossos rios e albufeiras, como fator decisivo na escolha de Portugal enquanto destino turístico”. Extraído de: http://inscricoes.7maravilhas.pt
• Coordenadas: Praia Fluvial do Paraíso (S. João do Monte)- 40º 35’46.40’’N 8º14’10.46’’O ;
Poço Lagar (Mançores)- 40ºN 34’44.77’’ N 8º17’17.45’’O .
• “Uma das poucas praias de altitude em Portugal. Localizada em plena Serra do Caramulo, esta praia goza da tranquilidade de um ambiente serrano, com uma natureza quase intacta e um imenso colorido de água e vegetação. A praia de S. João do Monte convida ao relaxamento perfeito”. Extraído de: http://www.visitcaramulo.org/O-que-Fazer/Eco-Turismo/Praias-Fluviais/Praia-Fluvial-de-Montanha-de-Sao-Joao-do-Monte
• ‘’Em São João do Monte uma antiga ponte românica de cinco arcos liga as duas metades do vilório. O Águeda corre mesmo por baixo. (…) É verdade: até ao momento, não disse uma palavra sobre os caminhos de água que rilham o granito e vão ajudar o Vouga e o Dão a serem rios. Em São João do Monte tem uma ponte antiga de cinco arcos a ligar as duas partes do vilarejo e um açude a travar-lhe a corrente apressada que, logo que espreitam os dias quentes, se transforma em praia fluvial.” Extraído de: Revista Volta ao Mundo …
• “ (…) Pelo meio da vila passa o rio Águeda, onde existe uma praia fluvial com beleza impar a fazer jus ao seu próprio nome: Praia fluvial Paraíso”. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos (2008) Ciência Viva no Verão. Geologia, Paisagem e Património da Freguesia de S. João do Monte (Serra do Caramulo). Junta de Freguesia de S. João do Monte, UTAD.
• “Quem visita esta praia, pode passear ao longo de um enorme manto verde, apreciando o canto dos pássaros e o correr das águas do rio Águeda. Tanta natureza e tanta serenidade são as razões que levam muitos visitantes a procurar este "Paraíso", especialmente, durante os meses de Verão. “ (…) Segundo a portaria, das 16 praias fluviais existentes no distrito, apenas a praia de Folgosa, em Castro Daire, e a praia fluvial de São João do Monte, em Tondela, reúnem as normas de segurança e de qualidade. A lista foi elaborada pelo Instituto da Água (INAG), em conjunto com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR), ”. In Jornal do Centro, ed. 283, 17 de Agosto de 2007. Neste espaço, chamamos a atenção para a antiga ponte românica de cinco arcos que liga as duas metades da vila…” Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.
• “(…) Trata-se de uma área com topografia côncava a que se pode designar em termos geomorfológico de bacia/alvéolo”. A nível geológico e geomorfológico podemos dizer que na área predominam granitos resultantes do arrefecimento e cristalização de magma. A instalação dos granitos fez-se possivelmente em mais que uma fase. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2011) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.
• “Ao nível biológico salientamos algumas das espécies vegetais da galeria ripícola, nomeadamente: salgueiro, amieiro, junco, zangarinho, hortelã d’água, entre outras “ Salgueiro é o nome comum das plantas do género salix, família salicaceae. o nome de salix parece proceder do celta e quereria dizer: próximo da água. Tem sido utilizada, experimentalmente, para recuperar águas poluídas devido à sua capacidade para absorver e transformar poluentes em matéria orgânica.” … “Em Portugal, além do salgueiro branco, existem outras espécies de salgueiro nativas como o salgueiro negro (salix atrocinerea, brot.). Os salgueiros são das árvores mais características da beira dos rios e dos seus ramos preparam-se os vimes que tanta importância tiveram tradicionalmente na cestaria”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/ salgueiro). O amieiro (Alnus glutinosa), também conhecido por alder, é uma árvore ripícola mediterrânea. A sua madeira resistente à água e de baixa densidade, é muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas. O amieiro tem como característica sonora um som mais aveludado com grave bastante profundo. O junco (juncos) é uma planta da família das Apresenta caules de cerca de um metro de altura, lisos, cilíndricos, flexíveis, pontiagudos, cor verde-escura por fora e esponjosos e brancos no interior… Cresce em lugares húmidos, próximo dos rios. “No livro dos Salmos, diz-se: «(…) Repreendeu o mar Vermelho e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos, como pelo deserto». O mar não se chamava Vermelho no tempo dos acontecimentos bíblicos. Chamava-se (e é assim que consta do original) mar dos Juncos. NOGUEIRA, 2004. O zangarinho é um arbusto da família das Romnáceas, comum nas terras húmidas. Também conhecido por lagarinho, sanguinho, zangarinheiro e amieiro-negro. A hortelã d’água (Mentha aquática), é uma planta perene, de talos muito ramificados. As flores que aparecem entre Junho e Outubro são muito pequenas e formam uma cabeça rosa ou branca. Cheira a menta e encontra-se em lugares húmidos, rios, ribeiras, fontes e nas beiras de caminhos encharcados. Uma outra espécie que aparece com alguma frequência nas margens do rio, apesar de não ser propriamente ripícola é o gibardeiro. (Ruscus aculeatus L.). Trata-se de um arbusto vivaz, pouco vulgar, que aparece na zona da Europa mediterrânica, estando igualmente presente no Sudoeste da Ásia e no Norte de África. Mantêm-se verde durante todo o ano, apresentando um rizoma, caule subterrâneo, a partir do qual brotam vários caules rígidos e verdes, alcançando entre 10 a 150 cm de altura. O fruto é uma baga de cor vermelha viva com uma a quatro sementes. Dos seus ramos fazem-se vassouras para varrer ruas e limpar chaminés. As espécies descritas, apresentam-se em ambos os troços dos rios a visitar (Águeda e Mançores)”. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.
• Na fauna das águas correntes do Águeda destacam-se as comunidades piscícolas, que incluem a truta-de-rio (Salmo trutta fario), enguia (Anguilla Anguilla), bordalo (Rutilus Alburnoides) e outros vertebrados, como a rã-ibérica (Rana iberica), o melro-d'água (Cinclus cinclus), a lontra (Lutra lutra) e a toupeira-d'água (Galemys pyrenaicus). Na fauna do rio de Mançores, para além das espécies anteriormente apresentadas, podemos ainda encontrar o barbo (Barbus Steindachneri (Bocagei)) e a boga (Chondrostoma Polylepis).
• “A povoação de Mançores, encontra-se a 150 m, sendo a localidade da freguesia com menor altitude. A dividir a aldeia passa o rio, que nesta zona é designado de rio de Mançores (afluente do Águeda). O rio descreve um meandro e surge um poço fluvial com uma profundidade considerável, designado pelos locais de Poço lagar. Aqui realizar-se-á um pequeno percurso junto ao rio, onde se pode observar a beleza paisagística, bem como, descobrir outras espécies ripícolas, para além das descritas anteriormente (…).” Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.
Jornada Ripícola de S. João do Monte
Acta
A acta da sessão extraordinária de 6 de Abril de 1887, da Junta de freguesia de S. João do Monte, esclarece contemporâneos e vindouros, nomeadamente os participantes do programa Ciência Viva, na inesquecível jornada de 30 de Julho de 2011, com todo o respeito pelos normativos legais, que no “ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e sete, aos seis dias do mês de Abril, a junta de Paróquia de S. João do Monte concelho de Tondella se reuniu em sessão extraordinária (para o que tinha sido previamente convocada) sob a presidência de Jacinto Henriques Soares, que estava presente, com os vogais António Martins de Almeida, António Fernandes Pereira, Salvador Henriques Monteiro de Carvalho e Manuel Antunes Pereira”. Depois de “aberta a sessão e lida e aprovada a acta antecedente”, ficou a Junta a saber “que a Ex.ma Câmara de Tondella resolvera vender a antiga casa da cadeia, de que nos servíamos para a escolla do sexo masculino e como nesta freguesia não havia casa para outra escola o Presidente e Vice-Presidente da Junta” decidiram solenemente perfilhá-la com esta educativa finalidade.
Pois bem, foi neste precioso santuário de redenção terrena e de amor às primeiras letras, agora sede cultural, bem perto do Paraíso (praia fluvial) que, aí pelas nove manhã, algumas dezenas de caminheiros, muitos de bem perto, outros de bem longe, se conheceram e deram a conhecer, antes de provarem as mimosas oferendas doces e matinais da ACDR de S. João do Monte, sábia e docemente conduzida pelo Sr. Mário. Não fosse irreverência e registar-se-ia aqui, neste improvisado quadro de honra, a memória daquele bolo, bem negro e bem húmido, de açúcares equilibrados, exuberante de frescura, com inesquecível final de boca, boas notas aromáticas a cereja preta e frutos silvestres, assistido de vinho doce…
Enxergou-se bem, in loco, como este incansável dinamizador da cultura local e denodado ex-combatente das matas de Angola, o sr. Mário, que acompanhou minuciosamente todos os passos da jornada, com insuperável maestria.
Organização
Os objectivos e locais visitados, nesta iniciativa do programa Ciência Viva, no Verão 2011, organizado pela Quercus – Núcleo Regional de Vila Real e Viseu, foram seleccionados de acordo e com os apoios da Junta de Freguesia e da Associação Desportiva Cultural e Recreativa (ADCR) de S. João do Monte. É de inteira justiça salientar o apoio da D. Odete, briosa ex-moradora da aldeia de Vale de Lobo que, no frondoso bosque e Parque de Merendas da freguesia, consegue sempre cozinhar a melhor feijoada.
Há que salientar, com inteira justiça, ainda que a modéstia do próprio não se conforme com tal destaque, o empenhamento do geógrafo Dr. Pedro Pereira que, ano após ano, arregimenta meios e vontades por forma a assegurar esta iniciativa de carácter nacional. É notório o empenho na divulgação da terra e cultura caramulanas. De salientar ainda que não se limita a este único evento anual. Ao longo do ano, convida – e convence… - pessoas de várias áreas do saber, com destaque para pessoas que conduzem estudos ou complementos de habilitações superiores.
O geólogo Prof. Doutor João Carlos Baptista, ainda que tenha em mãos um inesperado problema relativo ao apelido, com o novo acordo ortográfico, recebeu a habitual recompensa pela sua aplicação pedagógica, atlética e organizativa, com o mergulho final na costumeira cascata do “Rio da Quinta”, o famoso Poço da Pena Branca, já nas proximidades da Quinta de Menderes. E note-se que uma Serra como o Caramulo oferece imensa matéria mineral para interpretação e… transpiração.
O Engenheiro Florestal João Branco, sempre disponível e eloquente na interpretação da vida animal e vegetal, nunca largou o trabalhoso e completo “kit” fotográfico, com pesada máquina, teleobjectiva e tripé. Não lhe escaparia nada que se parecesse com tritão, borboleta ou tentilhão.
Fica o registo da participação assídua e carismática da enfermeira Ana Sofia Pereira, natural da vila de S. João do Monte, que, ditosamente, ainda não precisou de ultrapassar a barreira do mero apoio moral aos caminheiros.
Finalmente, um agradecimento especial ao Sr. Elísio, antigo moleiro, que apresentou, de uma forma bem esclarecedora, o seu depoimento especial, aos caminheiros, sobre a vida de moleiro que Deus lhe deu durante muitos anos. Falou, a convite do Dr. Pedro, das peças do moinho, das características e cuidados com as mós, das serventias da água do rio para as moagens e de alguns episódios que o marcaram nesta já nostálgica actividade.
Rio e ribeira
O rio Águeda e a ribeira de Dornas ou ribeira do Teixo ou ribeira do Souto (indicações da carta militar nº187) ou rio de Mançores (designação também atribuída a esta linha de água pela população local) são os dois cursos de água mais importantes da freguesia.
Toda a freguesia é rendilhada por um sem número de linhas de água que se encaixam e aconchegam nitidamente em vales de profundidade variável, mas de verde sempre bem equilibrado e suculento. Estes cursos estão associados a uma enérgica fracturação e a uma forte escorrência, facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes.
Foi neste ambiente hidrográfico que se descobriram e exploraram alguns dos deslumbrantes ambientes ripários da freguesia. Deram eles boa nota do fortíssimo carácter natural duma terra que não teme a proximidade das estrelas.
A acta da sessão extraordinária de 6 de Abril de 1887, da Junta de freguesia de S. João do Monte, esclarece contemporâneos e vindouros, nomeadamente os participantes do programa Ciência Viva, na inesquecível jornada de 30 de Julho de 2011, com todo o respeito pelos normativos legais, que no “ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e sete, aos seis dias do mês de Abril, a junta de Paróquia de S. João do Monte concelho de Tondella se reuniu em sessão extraordinária (para o que tinha sido previamente convocada) sob a presidência de Jacinto Henriques Soares, que estava presente, com os vogais António Martins de Almeida, António Fernandes Pereira, Salvador Henriques Monteiro de Carvalho e Manuel Antunes Pereira”. Depois de “aberta a sessão e lida e aprovada a acta antecedente”, ficou a Junta a saber “que a Ex.ma Câmara de Tondella resolvera vender a antiga casa da cadeia, de que nos servíamos para a escolla do sexo masculino e como nesta freguesia não havia casa para outra escola o Presidente e Vice-Presidente da Junta” decidiram solenemente perfilhá-la com esta educativa finalidade.
Pois bem, foi neste precioso santuário de redenção terrena e de amor às primeiras letras, agora sede cultural, bem perto do Paraíso (praia fluvial) que, aí pelas nove manhã, algumas dezenas de caminheiros, muitos de bem perto, outros de bem longe, se conheceram e deram a conhecer, antes de provarem as mimosas oferendas doces e matinais da ACDR de S. João do Monte, sábia e docemente conduzida pelo Sr. Mário. Não fosse irreverência e registar-se-ia aqui, neste improvisado quadro de honra, a memória daquele bolo, bem negro e bem húmido, de açúcares equilibrados, exuberante de frescura, com inesquecível final de boca, boas notas aromáticas a cereja preta e frutos silvestres, assistido de vinho doce…
Enxergou-se bem, in loco, como este incansável dinamizador da cultura local e denodado ex-combatente das matas de Angola, o sr. Mário, que acompanhou minuciosamente todos os passos da jornada, com insuperável maestria.
Organização
Os objectivos e locais visitados, nesta iniciativa do programa Ciência Viva, no Verão 2011, organizado pela Quercus – Núcleo Regional de Vila Real e Viseu, foram seleccionados de acordo e com os apoios da Junta de Freguesia e da Associação Desportiva Cultural e Recreativa (ADCR) de S. João do Monte. É de inteira justiça salientar o apoio da D. Odete, briosa ex-moradora da aldeia de Vale de Lobo que, no frondoso bosque e Parque de Merendas da freguesia, consegue sempre cozinhar a melhor feijoada.
Há que salientar, com inteira justiça, ainda que a modéstia do próprio não se conforme com tal destaque, o empenhamento do geógrafo Dr. Pedro Pereira que, ano após ano, arregimenta meios e vontades por forma a assegurar esta iniciativa de carácter nacional. É notório o empenho na divulgação da terra e cultura caramulanas. De salientar ainda que não se limita a este único evento anual. Ao longo do ano, convida – e convence… - pessoas de várias áreas do saber, com destaque para pessoas que conduzem estudos ou complementos de habilitações superiores.
O geólogo Prof. Doutor João Carlos Baptista, ainda que tenha em mãos um inesperado problema relativo ao apelido, com o novo acordo ortográfico, recebeu a habitual recompensa pela sua aplicação pedagógica, atlética e organizativa, com o mergulho final na costumeira cascata do “Rio da Quinta”, o famoso Poço da Pena Branca, já nas proximidades da Quinta de Menderes. E note-se que uma Serra como o Caramulo oferece imensa matéria mineral para interpretação e… transpiração.
O Engenheiro Florestal João Branco, sempre disponível e eloquente na interpretação da vida animal e vegetal, nunca largou o trabalhoso e completo “kit” fotográfico, com pesada máquina, teleobjectiva e tripé. Não lhe escaparia nada que se parecesse com tritão, borboleta ou tentilhão.
Fica o registo da participação assídua e carismática da enfermeira Ana Sofia Pereira, natural da vila de S. João do Monte, que, ditosamente, ainda não precisou de ultrapassar a barreira do mero apoio moral aos caminheiros.
Finalmente, um agradecimento especial ao Sr. Elísio, antigo moleiro, que apresentou, de uma forma bem esclarecedora, o seu depoimento especial, aos caminheiros, sobre a vida de moleiro que Deus lhe deu durante muitos anos. Falou, a convite do Dr. Pedro, das peças do moinho, das características e cuidados com as mós, das serventias da água do rio para as moagens e de alguns episódios que o marcaram nesta já nostálgica actividade.
Rio e ribeira
O rio Águeda e a ribeira de Dornas ou ribeira do Teixo ou ribeira do Souto (indicações da carta militar nº187) ou rio de Mançores (designação também atribuída a esta linha de água pela população local) são os dois cursos de água mais importantes da freguesia.
Toda a freguesia é rendilhada por um sem número de linhas de água que se encaixam e aconchegam nitidamente em vales de profundidade variável, mas de verde sempre bem equilibrado e suculento. Estes cursos estão associados a uma enérgica fracturação e a uma forte escorrência, facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes.
Foi neste ambiente hidrográfico que se descobriram e exploraram alguns dos deslumbrantes ambientes ripários da freguesia. Deram eles boa nota do fortíssimo carácter natural duma terra que não teme a proximidade das estrelas.
Degrau
António de Brum Ferreira escreve, em 1978, no seu livro “Planaltos e Montanhas do Norte da Beira - Estudo de Geomorfologia” que “a juzante de Varzielas há um degrau bem demarcado, seguindo-se um nível de 600-650 metros de altitude, que atinge um grande desenvolvimento em Arca - S. João do Monte (2 km de largura), tanto no granito do Caramulo como numa mancha xisto-migmatítica”.
Por toda a Serra do Caramulo, há realmente desnivelamentos para todos os gostos. Uma belíssima riqueza que deslumbra todos os numerosos visitantes, ainda que isso tenha de se pagar em pernas e muito suor.
Num dia de calor intenso, como foi o caso, o pensamento dos caminheiros ia frequentemente para a ostentosa Praia Fluvial de S. João do Monte, bem dita do Paraíso, alimentada pelo Rio Águeda. Ainda no imaginário dos andantes calhavam bem as sombras dos salgueiros e amieiros do “jovem” Rio Águeda, partilhadas por alguns lamas, bichos do deserto de Atacama, em cercado junto à igreja paroquial, em cujas imediações a Junta de Freguesia se esmerou na limpeza de muitas veredas. Não precisavam elas, outrora, de outra manutenção que não fosse a da azáfama quotidiana dos muitos moradores que, nas suas deambulações, amanhavam as terras férteis dos vales ou, até, as mais áridas das encostas dos montes.
Tamancos, socas ou botas não davam às ervas o sossego que, agora, lhes traz a desertificação que se vai constatando. E a culpa não é só da falta de pés e respectivos adereços, mas desta venerada civilização que trouxe tão boas estradas, isto é, um luxo, outrora improvável, de percursos alternativos.
Que pena não se cumprirem agora, por aqui e noutras bandas, as palavras de Homero: “A terra negra produz trigo e aveia, as árvores carregam-se de frutos, as ovelhas não se cansam de dar crias”!…
Texto: Nelson Rodrigues Pereira Fotos: João Carlos Baptista . Publicado Jornal de Tondela, Edição nº 1060.
António de Brum Ferreira escreve, em 1978, no seu livro “Planaltos e Montanhas do Norte da Beira - Estudo de Geomorfologia” que “a juzante de Varzielas há um degrau bem demarcado, seguindo-se um nível de 600-650 metros de altitude, que atinge um grande desenvolvimento em Arca - S. João do Monte (2 km de largura), tanto no granito do Caramulo como numa mancha xisto-migmatítica”.
Por toda a Serra do Caramulo, há realmente desnivelamentos para todos os gostos. Uma belíssima riqueza que deslumbra todos os numerosos visitantes, ainda que isso tenha de se pagar em pernas e muito suor.
Num dia de calor intenso, como foi o caso, o pensamento dos caminheiros ia frequentemente para a ostentosa Praia Fluvial de S. João do Monte, bem dita do Paraíso, alimentada pelo Rio Águeda. Ainda no imaginário dos andantes calhavam bem as sombras dos salgueiros e amieiros do “jovem” Rio Águeda, partilhadas por alguns lamas, bichos do deserto de Atacama, em cercado junto à igreja paroquial, em cujas imediações a Junta de Freguesia se esmerou na limpeza de muitas veredas. Não precisavam elas, outrora, de outra manutenção que não fosse a da azáfama quotidiana dos muitos moradores que, nas suas deambulações, amanhavam as terras férteis dos vales ou, até, as mais áridas das encostas dos montes.
Tamancos, socas ou botas não davam às ervas o sossego que, agora, lhes traz a desertificação que se vai constatando. E a culpa não é só da falta de pés e respectivos adereços, mas desta venerada civilização que trouxe tão boas estradas, isto é, um luxo, outrora improvável, de percursos alternativos.
Que pena não se cumprirem agora, por aqui e noutras bandas, as palavras de Homero: “A terra negra produz trigo e aveia, as árvores carregam-se de frutos, as ovelhas não se cansam de dar crias”!…
Texto: Nelson Rodrigues Pereira Fotos: João Carlos Baptista . Publicado Jornal de Tondela, Edição nº 1060.
Ciência Viva 2011 em São João do Monte
Tema: À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de São João do Monte
Data: 30 de Julho de 2011
Ponto de encontro: Pelourinho de São João do Monte; 9h15m.
Ação orienrada por: João Branco, João Carlos Baptista, Pedro Pereira, Nelson Pereira
Inscrições em WWW.cienciaviva.pt ou através do número 808 200 205
Data: 30 de Julho de 2011
Ponto de encontro: Pelourinho de São João do Monte; 9h15m.
Ação orienrada por: João Branco, João Carlos Baptista, Pedro Pereira, Nelson Pereira
Inscrições em WWW.cienciaviva.pt ou através do número 808 200 205
Mini-tornado poderá ter sido causa de destruição
Como já demos conta na última edição deste Jornal, uma área de 10 km2 de vegetação foi completamente destruída em consequência de condições meteorológicas adversas, ventos fortes e queda de neve, que se fizeram sentir na Serra do Caramulo durante a manhã do dia quinze de Fevereiro. A área afectada atingiu três freguesias (São João do Monte, Paranho de Arca e Alcofra). A destruição da vegetação é brutal, árvores de pequeno e médio porte, (em maior percentagem pinheiros, mas também eucaliptos) foram partidas e/ou derrubadas. Curiosamente, noutros locais de maior altitude da Serra, onde ocorreu maior precipitação de neve, não se assistiu a esta destruição.
O Sr. António Correia e a sua esposa Maria Gonçalves Pereira, residentes na povoação de Valdasna, referem que entre as sete e as dez horas da manhã terá ocorrido o “misterioso” fenómeno. No período referido, ouviram com muita frequência, o som das árvores a partir ou a derrubar. Apesar de concordarem com a existência de ventos mais fortes noutras ocasiões, ambos admitem poder ter havido uma forma muito própria de deslocação do vento que associado ao peso da neve sobre as árvores, poderá explicar a catástrofe. Constata-se que a forte destruição foi concentrada num corredor de dez quilómetros de comprimento por 1000 metros de largura (em média), o que permite admitir a hipótese de ter existido um tornado de pequena escala, designado por alguns de mini-tornado. De facto, é frequente um tornado arrasar completamente uma casa e deixar intacta a casa ao lado porque a acção deste fenómeno é concentrada. Esta circunstância faz dos tornados os mais violentos fenómenos atmosféricos e os mais destruidores numa área pequena. A hipótese de ter ocorrido um mini-tornado poderá ser corroborada pelo facto de as árvores se encontrarem derrubadas e partidas em várias direcções, evidenciando um eventual movimento turbilhonar do vento. O corredor de destruição apresenta uma orientação aproximada de Nordeste-Sudoeste, podendo ter sido o sentido de deslocação do referido fenómeno meteorológico. Felizmente nenhum aglomerado populacional foi afectado. Um tornado é caracterizado por ventos rodopiantes muito fortes, podendo atingir, em situações extremas, velocidades da ordem dos 300 Km/h . Alguns duram apenas pouco segundos, enquanto outros se prolongam por mais de uma hora. Uma vez que os mini-tornados são fenómenos de micro escala, a probabilidade de serem observados numa estação meteorológica é pequena, por isso o registo da sua ocorrência, fica muitas das vezes, limitado à descrição das populações, ao rasto de destruição, aos registos escritos e audiovisuais. De salientar que no mundo, os fenómenos climáticos extremos, triplicaram nos últimos cinquenta anos, transformando-se em catástrofes naturais com muitas vítimas e prejuízos. Na opinião de alguns investigadores estes mini-tornados também aconteceram no passado em Portugal, mas nos últimos anos o fenómeno intensificou-se, provavelmente devido ao aquecimento do planeta e às consequentes alterações climáticas.
O Sr. António Correia destacou ainda que para além da destruição massiva das árvores em algumas propriedades, as despesas de limpeza e reflorestação, agravam os prejuízos. Referiu que ao longo dos 10 km, a maior percentagem de árvores destruídas foram pinheiros bravos e lamentou com tristeza a perda completa de um pinhal com nove anos de idade. Espera-se que as entidades competentes sejam sensíveis a esta catástrofe e que tomem medidas com vista a auxiliarem os proprietários florestais a minimizarem os avultados prejuízos. P.L.S.P. Publicado Jornal de Tondela, edição nº 985.
I Passeio pedestre do GAC
O GAC (Grupo de Amigos do Caselho) organizou um passeio pedestre, em que participaram cerca de cinquenta pessoas. Este Grupo de Amigos, apesar de não estar oficialmente constituído como associação, conta já com um vasto currículo de actividade. No sábado, vinte e seis de Setembro, o passeio contou com a participação de pessoas de vários grupos etários. Foi objectivo deste evento proporcionar um momento de convívio e possibilitar também a descoberta de lendas e segredos destas paragens, a partir dos testemunhos das pessoas com mais idade. Maria Piedade Marques (87 anos), Lídia Pereira Fraga (84 anos), Celso Pereira (76 anos), Idalina Ferreira da Conceição (84 anos), foram os jovens contadores de histórias, tendo demonstrado grande capacidade de comunicação. “Narrar histórias é sempre a arte de as voltar a contar e essa arte perder-se-á se não se conservarem as histórias”. Alguns dos protagonistas referidos, foram transportados em veículo motorizado até ao local do almoço, designado de Lapa da Moura. Aqui, como previsto, aconteceu um agradável almoço, acompanhado com música de fundo, com auxílio de colunas alimentadas por um gerador portátil. Foi também possível um momento de confraternização saudável e ouvir histórias sobre este local e espaço envolvente. Era por estes paragens que noutros tempos, os nossos contadores de histórias guardavam o gado. Surgem muitos cabeços com nomes peculiares, tendo uma história associada à sua toponímica. Enumeramos de seguida aqueles que conseguimos registar: Cabeço das Igrejas, Cabeço da Caldeira, Cabeço do Alto do Corucho, Cabeço Conho da Feira, Cabeço do Vale d’água, Cabeço Rachado, Lapa da Moura, Cabeço da Lapa da Moura, Cabeço Rapó-fole, Cabeço da Erva. O Cabeço da Erva é um bloco granítico com algumas fracturas na parte superior, nas quais, crescem ervas com altura significativa. Noutros tempos, nessas frechas da rocha nidificavam aves de cor preta e branca. O Cabeço do Coruche, localizado nas proximidades do Coruche (marco geodésico de segunda ordem) apresenta uma forma aproximadamente esférica e com cerca de dez metros de diâmetro. Encontra-se ligeiramente alçado na parte inferior num dos lados. A propósito deste cabeço, a Dona Lídia de 84 anos, conta que uns tantos homens das povoações de Dornas e da Daires se juntaram naquele sítio para comerem um carneiro e beberem um odre de vinho. Depois de saciada a fome, decidiram com grande arrojo, fazer rebolar o cabeço pela encosta abaixo (de facto, o homem sempre gostou de desafiar a natureza…). Colocaram calhaus na parte inferior do cabeço e com auxílio de pancas de madeira tentaram fazer rolar o colossal bloco de granito, mas apesar da grande determinação, o esforço foi inglório. Podemos verificar ainda hoje, a existência de calhaus soltos colocados por baixo do cabeço que ajudam a atestar a veracidade da história. A ambição desmedida não é grande virtude!! A Lapa da Moura está associada à lenda mais misteriosa destas paragens. A narração foi feita na primeira pessoa pela Dona Idalina Conceição de 84 anos. Procuramos transcrevê-la para o papel, o mais próximo possível do seu testemunho oral. «Noutros tempos, quando se tocavam por aqui os gados, uma vaca ficou para trás e não chegou ao curral no fim do dia. O proprietário, morador no Caselho, terá pensado que a vaca como estava prenha tivesse ficado para trás para ter a cria. Como já era noite, decidiu ir ao outro dia (dia da festa de S. João Baptista) à procura do animal». O dia da festa de São João Baptista marca a data do solstício de Verão, sendo a sua referência, talvez a memória de algum culto solar pagão. «Como tinha planeado, levantou-se ao alvorecer e lá foi pelo monte fora. Ao chegar ao sítio da lapa da moura viu uma senhora a pentear o cabelo. Diz que era um cabelo lindo. E ele dissera: - Ai que lindo cabelo! A moura tinha ao seu lado umas tesouras de ouro e terá perguntado: - São mais lindas as tesouras ou o meu cabelo? A resposta foi a seguinte: - O cabelo é lindo, mas as tesouras são ainda mais lindas. O homem levou as tesouras de ouro, com a maior alegria da vida e também a vaca com a cria. Quando chegou junto da povoação, no local da aveleira….» Nesta altura da narrativa, alguém terá questionado: Mas era um ou uma? Curiosamente, nesta lenda, o protagonista era um homem bem real como veremos de seguida. «Era um senhor da família da Ti Maria da Caridade, ou era avô ou bisavô. Eram os antigos que contavam e eu lembra-me... Então, como eu estava a contar, o homem quando chegou junto da povoação do Caselho, no local da aveleira, olhou para a mão e as tesouras transformaram-se em carvão. Mas se ele tivesse escolhido o cabelo, já não vinha de lá, porque ficava encantado pela moura». Esta narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos, torna-se interessante pelo seu carácter fantástico e fictício e pela combinação de factos reais com factos irreais, muitos deles, produto da imaginação humana. Outras histórias foram contadas e registadas, no entanto, por serem demasiado extensas, não o faremos neste momento. Confraternização, convívio e perpetuação do património cultural, fins subjacentes à actividade, foram atingidos em pleno. A motivação e empenho deste Grupo de Amigos (GAC) constituíram os ingredientes do sucesso desta actividade. Aguardamos, para breve, um novo passeio!!
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