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Este blog, amador, foi criado com o intuito de divulgar atividades e acontecimentos relevantes da Serra do Caramulo, bem como o seu património! Fornece, também, informações importantes para quem pretende visitar e conhecer a região! "Viaje" pela Serra (des)conhecida, explorando os seus conteúdos!

O Pisão de Matadegas

O passeio pedestre que o GAC (Grupo dos Amigos do Caselho) tinha agendado para domingo, vinte e seis de abril, foi adiado devido ao mau tempo. No entanto, um grupo de resistentes não deixou de visitar um dos locais mais interessantes que estava previsto na rota- o pisão de Matadegas. E assim aconteceu…

O jeep do Bruno levou-nos até onde foi possível! Do local onde ficou o jeep até ao pisão, localizado junto de uma corga, são cerca de duzentos e cinquenta metros, os quais têm de ser percorridos a pé!

Alguns dos elementos do grupo que, supostamente, saberiam o local do pisão não o conseguiram encontrar. A paisagem sofreu alterações devido ao corte de árvores e perderam-se pontos de referência. Nesta altura, era grande a probabilidade de não atingirmos o objetivo. Um simples telefonema resolveu o problema… Passados uns instantes, o Nelson, a Carla e o seu irmão mais novo, residentes na aldeia de Matadegas, apareceram no local para nos guiarem.

Ao chegar ao local, a beleza do espaço não nos deixou indiferentes. A combinação dos odores primaveris, a paisagem multicolor com predominância do verde da vegetação e o som da água a correr na corga, transmitiu-nos tranquilidade e serenidade necessárias para renovar forças e deliciar o corpo e o espírito. Se este cenário nos deixou satisfeitos, o mesmo não podemos dizer no que diz respeito ao edifício que albergava o pisão, sem telhas e cheio de plásticos!

A maceira, uma das peças mais importantes do pisão foi levada há mais de quinze anos, estando atualmente no museu Terra de Besteiros... No local ficaram os plásticos, presumivelmente, utilizados nas manobras de remoção.

Era bom que o engenho voltasse a trabalhar! O pisão a funcionar no próprio local e a beleza do espaço envolvente, tornariam o local um ponto ímpar de atração turística.

O Engenho
 
“O funcionamento dos pisões tinha como base um moinho hidráulico, onde o aproveitamento da água fazia mover todo o mecanismo em madeira. Este engenho utilizava-se no tratamento da lã, sobretudo do burel, apreciado para a confecção de capuchas, capas, mantas, casacos, entre outras utilizadas no Inverno.

A lã, depois de tratada e tecida ia para o pisão, onde era pisoada incessantemente com água a ferver. Esta fase da cadeia operatória tornava o pano de lã impermeável, resistente ao frio e à chuva.
A masseira exposta no Museu Terras de Besteiros, oriunda do Pisão de Matadegas, freguesia de São João do Monte, foi talhada num só tronco de castanho e fazia parte de um mecanismo que já não chegou aos nossos dias”.
Extraído de: http://www.cm-tondela.pt/index.php/servicos/museu-terra-de-besteiros/museu/item/2403-museu-municipal-terras-de-besteiros-pisoes-de-burel

Ciência Viva -26 de julho 2014

Imagem extraída de: www.cienciaviva.pt
Descrição da acção: Percursos no local emblemático de Portugal – Percursos na área da União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho- Serra do Caramulo, ao longo dos quais observamos e interpretamos aspectos biológicos, geológicos, paisagísticos e patrimoniais. Os nossos sentidos não ficarão alheios à frescura, cor e odores de ambientes ripários e outros. Uma análise das relações entre as zonas ribeirinhas e o tipo de seres vivos (flora e fauna), as rochas predominantes (granito e xistos) e um olhar especial para ações antrópicas na formação/aspeto da paisagem atual. 
Descrição da acção para divulgação: Percursos na área da União de Freguesias de S. João do Monte e Mosteirinho- Serra do Caramulo, ao longo dos quais observamos e interpretamos aspetos, biológicos, geológicos, paisagísticos e patrimoniais. Itinerário da atividade:S. João do Monte- Mosteirinho- S. João do Monte. Localidade: S. João do Monte; Mosteirinho. Concelho:TONDELA. Ponto de Encontro: Pelourinho de S. João do Monte.
Fotos- 26/07/2014

A viagem do elefante

Espetáculo teatral de rua

“Em 2014 o Trigo Limpo teatro ACERT trilha Viseu Dão Lafões, celebrando os seus territórios e gentes. Pegadas sentimentais e literárias da vida de um criador de livros e de sonhos: José Saramago".”Fonte: http://www.acert.pt/aviagemdoelefante/posts/tondela-caramulo-o-espetaculo

FOTOGRAFIAS DO ESPETÁCULO EM: http://www.acert.pt/aviagemdoelefante/posts/fotogaleria-do-espetaculo-no-caramulo-tondela

 

VIDEO:  

Fonte: https://vimeo.com/100904623

Disponível em: http://www.acert.pt/aviagemdoelefante/

"O último adeus"


Sinopse

"Baseado numa história verídica, vivida entre os distritos de Viseu e Aveiro. Passamos por localidades como Tondela, Caramulo, Sernancelhe, Moimenta da Beira e Águeda. Três gerações de primogénitas vivem grandes histórias de amores inesquecíveis.Dionora vive pobremente mas feliz com António. Até ao dia em que descobrem a doença fatal vivida nos anos cinquenta, a tuberculose (...)" Extraído de: http://www.wook.pt/ficha/o-ultimo-adeus/a/id/15653203

Incêndios na Serra do Caramulo- verão 2013


Local onde faleceu Ana Rita Pereira ( 22/08/13).
À memória de: 
Ana Rita Pereira, 24 anos, corporação de Alcabideche.
Bernardo Figueiredo, 23 anos, corporação  do Estoril.
Cátia Pereira Dias, 21 anos, corporação de Carregal do Sal. 
Bernardo Cardoso, 18 anos, corporação de Carregal do Sal.





Os incêndios deste verão transformaram a Serra do Caramulo numa gigantesca fogueira, para desespero de muitas pessoas que sofreram a perda dos seus bens materiais e, pior do que isso, a perda de vidas humanas, o que é  dolorosamente trágico. Por enquanto, o negro domina a paisagem... Existem lugares que resistiram às chamas, constituindo oásis no meio de uma imensa área ardida...

Vamos postar diversos documentos ( fotografias, notícias...)  relacionados com os incêndios que ocorreram na Serra do Caramulo no verão de 2013. É nosso objetivo constituir um arquivo, de forma a alertar e a sensibilizar o público em geral para a preservação da floresta.
 Agradecemos, caso assim o entenda, que nos envie as suas fotografias e outros documentos que considere serem pertinentes no âmbito desta temática. O autor será devidamente identificado. Obrigado!
 Área ardida junto à vila do Caramulo. Elaborado a partir do Google earth.
 





Consequências
A área onde decorreu o incêndio (28/08/13…) apresenta declives elevados, assim, a destruição da vegetação vai alterar o regime hidrológico uma vez que, dada a natureza granítica dos solos, o escoamento superficial vai ocorrer em detrimento da infiltração, tão necessária para alimentar os lençóis freáticos bem como para regularizar o regime hídrico.

                                                                Fonte:IPMA
O escoamento superficial, por sua vez, aumentará o caudal de rios e ribeiras originando um grande transporte de materiais das zonas mais elevadas para as zonas de menor altitude – erosão hídrica, podendo provocar assoreamento no leito dos rios e aumentar o risco de inundação. A intensidade deste fenómeno é diretamente proporcional à quantidade de precipitação ocorrida… O dia vinte e quatro de dezembro de 2013 foi um “bom” exemplo.

Inauguração do CEISCaramulo

     No dia 20 de abril foi inaugurado o Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo (CEISCaramulo).
     "Em fevereiro de 2011, o antigo Agrupamento de Escolas do Caramulo (agora integrado no Agrupamento de Escolas de Tondela Tomaz Ribeiro) foi convidado pela Fundação Montepio, conjuntamente com outras 50 escolas a nível nacional, a concorrer ao referido prémio. Foi então apresentado a concurso o "Conhecer o que é nosso, para preservar e valorizar", que veio a ser distinguido com o prémio escolar Montepio 2011, entregue a 15 de novembro, em cerimónia pública no auditório da Fundação Montepio, pelo Sr. Ministro da Educação.
    O projeto previa, entre outras iniciativas, a criação de um Centro de Estudos e Interpretação da Serra do Caramulo (CEISCaramulo). Esta iniciativa assume um papel central no projeto, uma vez que estabelece e consolida a relação com a comunidade local e perpetuará no tempo o próprio projeto.
      O CEISCaramulo que ficará sediado na vila do Caramulo, no edifício do Turismo, terá como missão promover o estudo e a investigação nos vários domínios e interesses, designadamente ambiental, geográfico, biológico, geológico, histórico, etnográfico, gastronómico, etc., da Serra do Caramulo, sem perder de vista o interesse económico e de promoção da região onde se enquadra, potenciando e promovendo o empreendedorismo local. Poderá constituir-se como uma mais-valia para o desenvolvimento sustentável desta região serrana, uma vez que é fundamental conhecermos o que temos e o que nos distingue dos demais para podermos projetar o futuro, valorizando o que é nosso". Extraído de: http://cfaeplanaltobeirao.webege.com/Documentos/inforceis.pdf

VII Capítulo da Confraria Gastronómica do Cabrito e da Serra do Caramulo


São João do Monte uma Vila Serrrana
"(...) há mais de 900 anos nasceu a vila de São João do Monte, tal como referiu José Julio Cesar, figura ilustre e natural  desta localidade que viveu entre os seculos XIX e XX.
        De facto, um dos registos mais antigos que faz referência a esta vila, remonta ao sec. XII, mais precisamente a 1131.  Este registo diz respeito à Carta de doação a Mestre Garino da vila de São João do Monte.   E desde já, podem levantar-se duas questões. Quem fez a doação? Quem foi  mestre garino?
       A doação foi feita pelo primeiro rei de Portugal. Nesse ano, Dom Afonso Henriques, doa a vila de São João do Monte com todos os seus termos a Mestre Garino, em recompensa dos serviços prestados.  Apesar de não se encontrarem registos com descrições detalhadas da figura de mestre Garino, sabe-se que era frade do Convento de Santa Cruz de Coimbra e que devia ser figura importante desse mesmo convento. (...)"

Ciência Viva em São João do Monte - 04-08-2012


Título: Património Ambiental da Freguesia de S. João do Monte


Org.: Quercus - Núcleo de Vila Real e Viseu
Data:  04-08-2012
Hora de Início: 10:00
Ponto de encontro: Pelourinho de S. João do Monte e Casa da Câmara
Nota: Levar roupa e calçado apropriados, chapéu, água, merenda, fato de banho e toalha

Inscrições em: http://www.cienciaviva.pt/

PRAIA FLUVIAL PARAÍSO e POÇO LAGAR

• “ (…) Município de Tondela, candidatou 2 praias do concelho às “7 Maravilhas – Praias de Portugal”. Este concurso está dividido por categorias, sendo que a aposta foi projetar a Praia de S. João do Monte enquanto Praia de Rio, pois uma das condições obrigatórias para a nomeação é a classificação oficial de área balnear, e simultaneamente candidatar Mançores a Praia Selvagem”. Extraído de: http://www.cm-tondela.pt

• “As “7 Maravilhas – Praias de Portugal®” pretendem promover a qualidade ambiental de Portugal, nomeadamente dos nossos recursos hídricos e a beleza da nossa costa e dos nossos rios e albufeiras, como fator decisivo na escolha de Portugal enquanto destino turístico”. Extraído de: http://inscricoes.7maravilhas.pt

• Coordenadas: Praia Fluvial do Paraíso (S. João do Monte)- 40º 35’46.40’’N 8º14’10.46’’O ;
Poço Lagar (Mançores)- 40ºN 34’44.77’’ N 8º17’17.45’’O .

• “Uma das poucas praias de altitude em Portugal. Localizada em plena Serra do Caramulo, esta praia goza da tranquilidade de um ambiente serrano, com uma natureza quase intacta e um imenso colorido de água e vegetação. A praia de S. João do Monte convida ao relaxamento perfeito”. Extraído de: http://www.visitcaramulo.org/O-que-Fazer/Eco-Turismo/Praias-Fluviais/Praia-Fluvial-de-Montanha-de-Sao-Joao-do-Monte

• ‘’Em São João do Monte uma antiga ponte românica de cinco arcos liga as duas metades do vilório. O Águeda corre mesmo por baixo. (…) É verdade: até ao momento, não disse uma palavra sobre os caminhos de água que rilham o granito e vão ajudar o Vouga e o Dão a serem rios. Em São João do Monte tem uma ponte antiga de cinco arcos a ligar as duas partes do vilarejo e um açude a travar-lhe a corrente apressada que, logo que espreitam os dias quentes, se transforma em praia fluvial.” Extraído de: Revista Volta ao Mundo …

• “ (…) Pelo meio da vila passa o rio Águeda, onde existe uma praia fluvial com beleza impar a fazer jus ao seu próprio nome: Praia fluvial Paraíso”. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos (2008) Ciência Viva no Verão. Geologia, Paisagem e Património da Freguesia de S. João do Monte (Serra do Caramulo). Junta de Freguesia de S. João do Monte, UTAD.

• “Quem visita esta praia, pode passear ao longo de um enorme manto verde, apreciando o canto dos pássaros e o correr das águas do rio Águeda. Tanta natureza e tanta serenidade são as razões que levam muitos visitantes a procurar este "Paraíso", especialmente, durante os meses de Verão. “ (…) Segundo a portaria, das 16 praias fluviais existentes no distrito, apenas a praia de Folgosa, em Castro Daire, e a praia fluvial de São João do Monte, em Tondela, reúnem as normas de segurança e de qualidade. A lista foi elaborada pelo Instituto da Água (INAG), em conjunto com as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regionais (CCDR), ”. In Jornal do Centro, ed. 283, 17 de Agosto de 2007. Neste espaço, chamamos a atenção para a antiga ponte românica de cinco arcos que liga as duas metades da vila…” Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

• “(…) Trata-se de uma área com topografia côncava a que se pode designar em termos geomorfológico de bacia/alvéolo”. A nível geológico e geomorfológico podemos dizer que na área predominam granitos resultantes do arrefecimento e cristalização de magma. A instalação dos granitos fez-se possivelmente em mais que uma fase. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2011) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

• “Ao nível biológico salientamos algumas das espécies vegetais da galeria ripícola, nomeadamente: salgueiro, amieiro, junco, zangarinho, hortelã d’água, entre outras “ Salgueiro é o nome comum das plantas do género salix, família salicaceae. o nome de salix parece proceder do celta e quereria dizer: próximo da água. Tem sido utilizada, experimentalmente, para recuperar águas poluídas devido à sua capacidade para absorver e transformar poluentes em matéria orgânica.” … “Em Portugal, além do salgueiro branco, existem outras espécies de salgueiro nativas como o salgueiro negro (salix atrocinerea, brot.). Os salgueiros são das árvores mais características da beira dos rios e dos seus ramos preparam-se os vimes que tanta importância tiveram tradicionalmente na cestaria”. (http://pt.wikipedia.org/wiki/ salgueiro). O amieiro (Alnus glutinosa), também conhecido por alder, é uma árvore ripícola mediterrânea. A sua madeira resistente à água e de baixa densidade, é muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas. O amieiro tem como característica sonora um som mais aveludado com grave bastante profundo. O junco (juncos) é uma planta da família das Apresenta caules de cerca de um metro de altura, lisos, cilíndricos, flexíveis, pontiagudos, cor verde-escura por fora e esponjosos e brancos no interior… Cresce em lugares húmidos, próximo dos rios. “No livro dos Salmos, diz-se: «(…) Repreendeu o mar Vermelho e este se secou, e os fez caminhar pelos abismos, como pelo deserto». O mar não se chamava Vermelho no tempo dos acontecimentos bíblicos. Chamava-se (e é assim que consta do original) mar dos Juncos. NOGUEIRA, 2004. O zangarinho é um arbusto da família das Romnáceas, comum nas terras húmidas. Também conhecido por lagarinho, sanguinho, zangarinheiro e amieiro-negro. A hortelã d’água (Mentha aquática), é uma planta perene, de talos muito ramificados. As flores que aparecem entre Junho e Outubro são muito pequenas e formam uma cabeça rosa ou branca. Cheira a menta e encontra-se em lugares húmidos, rios, ribeiras, fontes e nas beiras de caminhos encharcados. Uma outra espécie que aparece com alguma frequência nas margens do rio, apesar de não ser propriamente ripícola é o gibardeiro. (Ruscus aculeatus L.). Trata-se de um arbusto vivaz, pouco vulgar, que aparece na zona da Europa mediterrânica, estando igualmente presente no Sudoeste da Ásia e no Norte de África. Mantêm-se verde durante todo o ano, apresentando um rizoma, caule subterrâneo, a partir do qual brotam vários caules rígidos e verdes, alcançando entre 10 a 150 cm de altura. O fruto é uma baga de cor vermelha viva com uma a quatro sementes. Dos seus ramos fazem-se vassouras para varrer ruas e limpar chaminés. As espécies descritas, apresentam-se em ambos os troços dos rios a visitar (Águeda e Mançores)”. Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

• Na fauna das águas correntes do Águeda destacam-se as comunidades piscícolas, que incluem a truta-de-rio (Salmo trutta fario), enguia (Anguilla Anguilla), bordalo (Rutilus Alburnoides) e outros vertebrados, como a rã-ibérica (Rana iberica), o melro-d'água (Cinclus cinclus), a lontra (Lutra lutra) e a toupeira-d'água (Galemys pyrenaicus). Na fauna do rio de Mançores, para além das espécies anteriormente apresentadas, podemos ainda encontrar o barbo (Barbus Steindachneri (Bocagei)) e a boga (Chondrostoma Polylepis).

• “A povoação de Mançores, encontra-se a 150 m, sendo a localidade da freguesia com menor altitude. A dividir a aldeia passa o rio, que nesta zona é designado de rio de Mançores (afluente do Águeda). O rio descreve um meandro e surge um poço fluvial com uma profundidade considerável, designado pelos locais de Poço lagar. Aqui realizar-se-á um pequeno percurso junto ao rio, onde se pode observar a beleza paisagística, bem como, descobrir outras espécies ripícolas, para além das descritas anteriormente (…).” Extraído de: PEREIRA, Pedro L., PEREIRA, Nelson Rodrigues, BAPTISTA, João Carlos, BRANCO, João (2009) Ciência Viva no Verão. À descoberta de ambientes ripícolas na freguesia de S. João do Monte. Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza. Núcleo Regional de Vila Real e Viseu.

Jornada Ripícola de S. João do Monte


Acta
A acta da sessão extraordinária de 6 de Abril de 1887, da Junta de freguesia de S. João do Monte, esclarece contemporâneos e vindouros, nomeadamente os participantes do programa Ciência Viva, na inesquecível jornada de 30 de Julho de 2011, com todo o respeito pelos normativos legais, que no “ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e oitenta e sete, aos seis dias do mês de Abril, a junta de Paróquia de S. João do Monte concelho de Tondella se reuniu em sessão extraordinária (para o que tinha sido previamente convocada) sob a presidência de Jacinto Henriques Soares, que estava presente, com os vogais António Martins de Almeida, António Fernandes Pereira, Salvador Henriques Monteiro de Carvalho e Manuel Antunes Pereira”. Depois de “aberta a sessão e lida e aprovada a acta antecedente”, ficou a Junta a saber “que a Ex.ma Câmara de Tondella resolvera vender a antiga casa da cadeia, de que nos servíamos para a escolla do sexo masculino e como nesta freguesia não havia casa para outra escola o Presidente e Vice-Presidente da Junta” decidiram solenemente perfilhá-la com esta educativa finalidade.
Pois bem, foi neste precioso santuário de redenção terrena e de amor às primeiras letras, agora sede cultural, bem perto do Paraíso (praia fluvial) que, aí pelas nove manhã, algumas dezenas de caminheiros, muitos de bem perto, outros de bem longe, se conheceram e deram a conhecer, antes de provarem as mimosas oferendas doces e matinais da ACDR de S. João do Monte, sábia e docemente conduzida pelo Sr. Mário. Não fosse irreverência e registar-se-ia aqui, neste improvisado quadro de honra, a memória daquele bolo, bem negro e bem húmido, de açúcares equilibrados, exuberante de frescura, com inesquecível final de boca, boas notas aromáticas a cereja preta e frutos silvestres, assistido de vinho doce…
Enxergou-se bem, in loco, como este incansável dinamizador da cultura local e denodado ex-combatente das matas de Angola, o sr. Mário, que acompanhou minuciosamente todos os passos da jornada, com insuperável maestria.
Organização
Os objectivos e locais visitados, nesta iniciativa do programa Ciência Viva, no Verão 2011, organizado pela Quercus – Núcleo Regional de Vila Real e Viseu, foram seleccionados de acordo e com os apoios da Junta de Freguesia e da Associação Desportiva Cultural e Recreativa (ADCR) de S. João do Monte. É de inteira justiça salientar o apoio da D. Odete, briosa ex-moradora da aldeia de Vale de Lobo que, no frondoso bosque e Parque de Merendas da freguesia, consegue sempre cozinhar a melhor feijoada.
Há que salientar, com inteira justiça, ainda que a modéstia do próprio não se conforme com tal destaque, o empenhamento do geógrafo Dr. Pedro Pereira que, ano após ano, arregimenta meios e vontades por forma a assegurar esta iniciativa de carácter nacional. É notório o empenho na divulgação da terra e cultura caramulanas. De salientar ainda que não se limita a este único evento anual. Ao longo do ano, convida – e convence… - pessoas de várias áreas do saber, com destaque para pessoas que conduzem estudos ou complementos de habilitações superiores.
O geólogo Prof. Doutor João Carlos Baptista, ainda que tenha em mãos um inesperado problema relativo ao apelido, com o novo acordo ortográfico, recebeu a habitual recompensa pela sua aplicação pedagógica, atlética e organizativa, com o mergulho final na costumeira cascata do “Rio da Quinta”, o famoso Poço da Pena Branca, já nas proximidades da Quinta de Menderes. E note-se que uma Serra como o Caramulo oferece imensa matéria mineral para interpretação e… transpiração.
O Engenheiro Florestal João Branco, sempre disponível e eloquente na interpretação da vida animal e vegetal, nunca largou o trabalhoso e completo “kit” fotográfico, com pesada máquina, teleobjectiva e tripé. Não lhe escaparia nada que se parecesse com tritão, borboleta ou tentilhão.
Fica o registo da participação assídua e carismática da enfermeira Ana Sofia Pereira, natural da vila de S. João do Monte, que, ditosamente, ainda não precisou de ultrapassar a barreira do mero apoio moral aos caminheiros.
Finalmente, um agradecimento especial ao Sr. Elísio, antigo moleiro, que apresentou, de uma forma bem esclarecedora, o seu depoimento especial, aos caminheiros, sobre a vida de moleiro que Deus lhe deu durante muitos anos. Falou, a convite do Dr. Pedro, das peças do moinho, das características e cuidados com as mós, das serventias da água do rio para as moagens e de alguns episódios que o marcaram nesta já nostálgica actividade.
Rio e ribeira
O rio Águeda e a ribeira de Dornas ou ribeira do Teixo ou ribeira do Souto (indicações da carta militar nº187) ou rio de Mançores (designação também atribuída a esta linha de água pela população local) são os dois cursos de água mais importantes da freguesia.
Toda a freguesia é rendilhada por um sem número de linhas de água que se encaixam e aconchegam nitidamente em vales de profundidade variável, mas de verde sempre bem equilibrado e suculento. Estes cursos estão associados a uma enérgica fracturação e a uma forte escorrência, facilitada pela precipitação abundante e pelos declives das vertentes.
Foi neste ambiente hidrográfico que se descobriram e exploraram alguns dos deslumbrantes ambientes ripários da freguesia. Deram eles boa nota do fortíssimo carácter natural duma terra que não teme a proximidade das estrelas.

Degrau
António de Brum Ferreira escreve, em 1978, no seu livro “Planaltos e Montanhas do Norte da Beira - Estudo de Geomorfologia” que “a juzante de Varzielas há um degrau bem demarcado, seguindo-se um nível de 600-650 metros de altitude, que atinge um grande desenvolvimento em Arca - S. João do Monte (2 km de largura), tanto no granito do Caramulo como numa mancha xisto-migmatítica”.
Por toda a Serra do Caramulo, há realmente desnivelamentos para todos os gostos. Uma belíssima riqueza que deslumbra todos os numerosos visitantes, ainda que isso tenha de se pagar em pernas e muito suor.
Num dia de calor intenso, como foi o caso, o pensamento dos caminheiros ia frequentemente para a ostentosa Praia Fluvial de S. João do Monte, bem dita do Paraíso, alimentada pelo Rio Águeda. Ainda no imaginário dos andantes calhavam bem as sombras dos salgueiros e amieiros do “jovem” Rio Águeda, partilhadas por alguns lamas, bichos do deserto de Atacama, em cercado junto à igreja paroquial, em cujas imediações a Junta de Freguesia se esmerou na limpeza de muitas veredas. Não precisavam elas, outrora, de outra manutenção que não fosse a da azáfama quotidiana dos muitos moradores que, nas suas deambulações, amanhavam as terras férteis dos vales ou, até, as mais áridas das encostas dos montes.
Tamancos, socas ou botas não davam às ervas o sossego que, agora, lhes traz a desertificação que se vai constatando. E a culpa não é só da falta de pés e respectivos adereços, mas desta venerada civilização que trouxe tão boas estradas, isto é, um luxo, outrora improvável, de percursos alternativos.
Que pena não se cumprirem agora, por aqui e noutras bandas, as palavras de Homero: “A terra negra produz trigo e aveia, as árvores carregam-se de frutos, as ovelhas não se cansam de dar crias”!…
Texto: Nelson Rodrigues Pereira Fotos: João Carlos Baptista . Publicado Jornal de Tondela, Edição nº 1060.